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O cenário global da distribuição de insumos

O distribuidor de insumos agropecuários brasileiro leva ao campo, além de produtos, o conhecimento, a inovação e as boas práticas.

Paulo Tiburcio
Mestre em Defesa Vegetal e presidente executivo da Andav

Paulo Tiburcio, presidente executivo da Andav

O Brasil é uma das maiores potências agroeconômicas do mundo, produzindo uma significativa diversidade de produtos em todas as regiões do seu território, e se consolidando como importante player global na produção agrícola e exportação de commodities.

Assim, as dinâmicas do mercado de insumos agrícolas no Brasil são influenciadas, necessariamente, por uma produção cada vez maior, mais tecnológica e sustentável. O distribuidor de insumos agropecuários brasileiro leva ao campo, além de produtos, o conhecimento, a inovação e as boas práticas.

A distribuição no Brasil se caracteriza pela sua capilaridade, relacionamento próximo com o produtor e ampla diversidade, não só em portfólio, mas nos serviços acessórios, que vão desde a assistência técnica à concessão de crédito.

Lideranças do Agro

A Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários (Andav), há décadas, acompanha as transformações na distribuição. A comunicação e trocas de experiências com lideranças dos segmentos em outros países se faz fundamental.

Nestas dinâmicas, pudemos concluir que, essencialmente, há mecanismos mercadológicos que nos diferem de outros modelos internacionais, mas sempre mantendo o propósito de trazer ao campo produtividade e sustentabilidade.

Os Estados Unidos possuem um agronegócio altamente desenvolvido e são líderes em pesquisa e desenvolvimento de inovações agrícolas. Os chamados belts, ou cinturões, se concentram especialmente em três grandes regiões, com foco em monoculturas e outras secundárias.

As principais dinâmicas do mercado de insumos agrícolas nos EUA envolvem a busca por eficiência e rentabilidade. O modelo de distribuição é significativamente consolidado, e grandes grupos econômicos lideram a distribuição de insumos em todo território estadunidense.

Na África do Sul, a agricultura desempenha um papel importante na sua economia, e as dinâmicas do mercado de insumos agrícolas nesse país são influenciadas pela necessidade de melhorar a produtividade e enfrentar desafios, como a escassez de água e as mudanças climáticas.

O México é um país com uma forte base agrícola e é um grande produtor de alimentos, especialmente de produtos como milho, trigo e hortifrúti. As dinâmicas do mercado no país estão relacionadas à modernização da agricultura, ao aumento da eficiência produtiva e ao cumprimento das regulamentações de segurança alimentar, tanto para o mercado doméstico quanto para a exportação, especialmente aos Estados Unidos.

Uma informação importante e que vale destacar é que tanto a África do Sul como o México não contam com associações de representação nacional, como a Andav no Brasil e a ARA no Estados Unidos. Essa articulação de esforços setoriais se faz fundamental e muito estratégica, em todos os aspectos.

Demandas mundiais

Adaptar-se às demandas específicas dos clientes em diferentes regiões do mundo é a principal meta de qualquer mercado, e não seria diferente para os insumos agropecuários.

Precisamos, cada vez mais, trazer ao campo produtos e soluções personalizadas para atender as necessidades locais de cada região, adaptando-se ao clima, geografia, economia e mercado consumido.

Ainda como tendências e pontos de atenção estão: a origem da produção, certificações de qualidade e a rastreabilidade em toda a cadeia.

Em todo o mundo, é comum o desafio de produzir mais e melhor, ou seja, alimentar o mundo em harmonia com os recursos naturais e de uma forma sustentável social e economicamente. Essa, sem dúvida, é a principal meta a ser atingida por distribuidores de insumos agropecuários, de diferentes nações.

Tendências e desafios

No Brasil, com uma impressionante velocidade, pudemos presenciar o despontar das novas tecnologias no campo, da automação e da coleta de dados. Tantas novidades já anunciavam o que estava a caminho: o Brasil deixaria sua posição de importador de alimentos para se tornar um dos maiores produtores e fornecedores de alimentos, fibras e energia do mundo.

E, para atender a forte demanda internacional, bem como lidar com a implementação de mudanças necessárias para os próximos anos, seria preciso desenvolver ainda mais canais estruturados, para que junto ao produtor rural fosse possível criar mecanismos que auxiliassem no incremento de produção e otimizassem processos.

Esse desafio de trazer tanta inovação ao campo foi assumido pelo distribuidor de insumos. Neste sentido, sendo o digital uma realidade, agora devemos lançar seu olhar atento às mudanças estruturais de setor, articulando esforços com todos os eixos, ao auxiliar na construção de políticas e diretrizes condizentes com a realidade do campo.

Vivenciamos as diferentes realidades e necessidades dos produtores que encontram, dentro dos seus diferentes recortes, limitações impostas desde pelos adventos naturais, até a dificuldade para acessar recursos financeiros, por exemplo.

Agora, essas tecnologias e plataformas digitais devem trazer a revolução da forma mais acessível a todos, e nos auxiliar a resolver os desafios estruturais do campo.

No cenário macroeconômico, a consolidação do mercado da distribuição de insumos agropecuários reforça a excelência, compromisso e alta especificidade do trabalho do distribuidor de insumos, atraindo o interesse dos investidores interacionais para este canal tão estratégico para o agro brasileiro.

Como comentei, o avanço da digitalização como ferramenta comercial impulsionou este movimento em todos os setores. Evidentemente, na distribuição de insumos agropecuários não foi diferente, mas é fundamental considerar as particularidades que envolvem o comércio destes produtos extremamente segmentados, bem como o respeito a toda normativa e regulamentação aplicada. A capacitação e o planejamento, mesmo diante das tendências, são mandatórias.

Adequação às mudanças globais

É imperativo o nosso foco em encontrar formas de produzir mais, em harmonia com os recursos naturais e com objetivo de criar comunidades fortalecidas.

A distribuição é o elo da cadeia que orienta, informa, conecta e transmite. Inovar sempre esteve em presente em nossas rotinas, afinal, trazer novos produtos, serviços e tecnologias ao campo exige um perfil pautado pela atualização, responsabilidade e muita capacitação, por isso estamos em constante desenvolvimento.

É preciso entender que trazer ferramentas inovadoras ao campo exige estratégia e articulação com todos os setores envolvidos em nossa cadeia, que são centenas. Não adianta inovar no modelo de comercializar se nós não nos ajustarmos à realidade do produtor, dos transportes, do escoamento, da fiscalização e demais.

Na distribuição, contamos com um diferencial competitivo, que mesmo diante das mudanças de mercado se mantém: a confiança do produtor em nosso trabalho e apoio que o distribuidor oferece, desde o crédito até a colheita.

Manter seu perfil com foco no relacionamento próximo ao produtor em campo, dispensando de inovação e planejamento se faz fundamental.

Estratégias mais eficazes

Além do compromisso do distribuidor junto ao produtor rural, está o seu papel em movimentar a economia das regiões, um fator a se destacar, especialmente no que se diz respeito aos pequenos produtores, comunidades locais e os biomas naturais.

Quando investimos em estratégias ESG, investimos na única forma de organizarmos a nossa sociedade de forma verdadeiramente sustentável, visando o futuro e o sucesso de todos.

Outra estratégia fundamental é o apoio e promoção da capacitação, ciência, pesquisa e desenvolvimento no Brasil. A produção agropecuária brasileira fornece alimentos e matérias-primas que obedecem aos mais altos parâmetros de qualidade, considerando nestes processos pessoas e meio ambiente.

A educação e a ciência são as principais responsáveis por possibilitar esse cenário.

Da mesma forma que indicamos a consolidação como uma tendência, também é possível afirmar que há mercado para todos. Especialmente quando tratamos sobre as especialidades e os produtores que dão preferência aos negócios locais, e a importância do relacionamento.

Ou seja, investir em planejamento estratégico e estudos de mercado é uma estratégia fundamental, considerando não só aumento da competividade, mas da demanda do produtor em campo, por cada vez mais produtividade e eficiência.

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