27.6 C
Uberlândia
quarta-feira, abril 17, 2024
- Publicidade -
InícioDestaquesProdução de leite a pasto oferece aumento da produtividade e menor custo

Produção de leite a pasto oferece aumento da produtividade e menor custo

Divulgação

A alimentação representa a maior parcela dos custos variáveis na atividade leiteira, porém, ela é responsável também pelo aumento da produtividade, o que acarreta diluição dos custos fixos do sistema. Por isso, o investimento na alimentação do rebanho a custo razoável é parte fundamental da produção de leite, alcançando, assim, equilíbrio entre custo e produção.

No Brasil, a maior parte da produção de leite é proveniente de animais mantidos em regime de pastagem, isso porque o País conta com clima favorável ao desenvolvimento das forrageiras. Mesmo assim, ainda existem sistemas mais rústicos e tradicionais que utilizam forrageiras pouco produtivas e de baixa qualidade, que resultam em degradação das pastagens e do solo, esgotamento da fertilidade da terra e, por fim, perda da produtividade.

A Responsável Técnica da Minerthal, Letícia de Souza Santos, explica que o Brasil vem intensificando os sistemas de produção de leite a pasto pela busca da melhoria do potencial genético do rebanho, escolha de forrageiras de alta produtividade e qualidade, bem como o manejo adequado das pastagens. “O objetivo da intensificação é aumentar a capacidade de suporte da pastagem, elevar a produtividade e promover menor utilização de concentrados, melhoria na qualidade da pastagem e melhor aproveitamento da área”.

Entre os principais motivos que levam a escolha do pasto para a produção leiteira estão: menor custo, teor de gordura no leite e bem-estar animal e ambiência. “A produção de leite a pasto tem como vantagem os menores custos e investimentos quando comparado aos sistemas em que alimentos conservados são a base da alimentação. Como o pilar alimentar dos bovinos é a forragem, saber aproveitar este recurso da maneira mais eficiente possível nos retorna maior produção por área”, explica a profissional.

No quesito bem-estar e ambiência, se comparado a alguns sistemas de produção de leite com vacas confinadas, a produção realizada em sistema de pastagem proporciona maior bem-estar animal. Além disso, sistemas com introdução de árvores (silvipastoris) em pastagens auxiliam na redução do estresse térmico e consequentemente, na melhora da produtividade.

Fatores que afetam a produção de leite a pasto

Letícia salienta que, ao longo do ano, as forragens estão sujeitas a alterações climáticas, resultando em aumento ou declínio na produtividade dependendo do período. “Como estamos partindo para a época das águas, este é o momento de aproveitar ao máximo a alta produtividade das pastagens e produzir o litro de leite a um custo mais barato”.

Em qualquer sistema de pastejo, o produtor precisa acompanhar de perto o pasto, assim, a qualidade pode ser mensurada pela concentração de proteína bruta. Este nutriente é importante para o crescimento animal e produtividade, e com avanço da idade da planta há redução na concentração de proteína bruta. 

Cuidados fundamentais no manejo da pastagem para melhor desempenho da produção

Um bom produtor de leite a pasto precisa saber manejar as pastagens. “Devemos produzir a melhor pastagem para os animais na quantidade correta para alimentar o rebanho, além disso a qualidade da forragem precisa ser levada em consideração para melhor desempenho”, pontua a Responsável Técnica, que detalha algumas práticas que podem ser adotadas, como:

1 – Pastejo rotacionado

O pastejo rotacionado é representado por uma área dividida em piquetes que são pastejados em sequência por lote de animais, com a finalidade de fornecer forragem de alta qualidade. Dentre as vantagens com a adoção do pastejo rotacionado, podem ser citados o melhor aproveitamento da forragem produzida, o aumento na taxa de lotação e na produção de leite por hectare, o estabelecimento de períodos regulares de descanso do pasto, o auxílio no controle de verminoses e carrapatos no rebanho e a melhor ciclagem de nutrientes.

2 – Irrigação de pastagem

A intensificação de produção de leite a pasto pode vir acompanhada da prática de irrigação das pastagens. O uso desse recurso proporciona incremento na produção de matéria seca e, com aumento da produtividade da pastagem, é possível elevar também a produção por hectares. Esta prática soluciona ocasionalmente o problema de estacionalidade da produção em decorrência de alterações climáticas. “Para implantação da irrigação, é fundamental consultoria especializada na área de pastagens irrigadas”, alerta.

3 – Adubação de pastagem

Para implantar uma nova forrageira em alguma área ou recuperação de pastagem existente, é preciso fazer a preparação do terreno antes do plantio. As etapas de correção da acidez do solo (calagem), adubação de plantio e de cobertura precisam ser previamente organizadas para correto preparo do solo.

Ao manter os animais sob regime de pastagem é necessário que as gramíneas tenham os nutrientes em quantidades desejáveis para que os animais que se alimentam delas tenham a maioria das exigências supridas. Diante disso, realizar a adubação com no mínimo, NPK (Nitrogênio, Fósforo e Potássio) é necessário para manter a produtividade do rebanho.

4 – Suplementação com micro e macronutrientes

A adubação tem como objetivo fornecer ao solo e às forragens os nutrientes necessários. Porém, é fundamental se atentar à lei do mínimo para nutrição dos animais. Isso significa oferecer às vacas todos os nutrientes, evitando, assim, que haja algum nutriente limitante à produção.

Dentre os minerais, o fósforo se destaca como o de maior importância ao gado leiteiro, por isso, a suplementação com fontes de micro e macro minerais é de suma importância neste sistema.

“O modelo de produção de leite a pasto tem diversas vantagens, porém, como em todos os ramos da agropecuária, precisa ser planejado e acompanhado de perto, para que o produtor evite perdas e tenha lucro”, finaliza Letícia de Souza Santos.

ARTIGOS RELACIONADOS

Ter pastagem é questão de gestão da pecuária

Cerca de 95% da carne bovina no Brasil é produzida em regime de pastagens. Essa particularidade proporciona menor custo de produção e ainda confere um diferencial qualitativo à carne.

Estratégia reprodutiva a partir do período de desmame

Com um rebanho de aproximadamente 200 milhões de cabeças, a pecuária no Brasil se destaca por sua produção continental em larga extensão e pelo rebanho bovino distribuído por todo o País.

Produtores gaúchos de leite ainda sofrem dificuldades por causa da estiagem

Segundo a Gadolando, falta de silagem aumenta os custos aos criadores mesmo em momento de preços mais elevados

Doença da Linha Branca afeta bem-estar dos bovinos

De acordo com o médico veterinário Thales Vechiato, "alterações nos cascos afetam diretamente a rotina do rebanho, pois as fortes dores impedem que os animais se movimentem normalmente. Muitas vezes, eles também deixam de se alimentar de maneira adequada e, assim, há comprometimento de toda a funcionalidade do corpo".

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui
Captcha verification failed!
Falha na pontuação do usuário captcha. Por favor, entre em contato conosco!