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Produtividade: uvas são favorecidas pelas algas

Foto: Glaucio Genúncio

Nilva Teresinha Teixeira
Engenheira agrônoma, doutora e professora de Bioquímica, Nutrição de Plantas e Produção Orgânica – UniPinhal
nilva@unipinhal.edu.br

O cultivo da videira vem se disseminando por todas as regiões brasileiras. Informações dão conta de que a cultura em apreço que inicialmente tinha grande projeção nos Estados do Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, passou a ser explorada no noroeste do Estado de São Paulo, se disseminando para outras regiões do País.

O Nordeste é um polo produtor importante. Com a inclusão de novas tecnologias e cultivares providas do exterior, passamos a ter plantios para a produção de vinhos de excelente qualidade. Há vinhos produzidos no Brasil premiados internacionalmente.

E as uvas de mesa oferecem vitaminas, minerais e fibras, antioxidantes, sendo fontes de bioativos com propriedades nutracêuticas, proporcionando benefícios médicos e de saúde.

Trata-se, assim, de cultura onde novas tecnologias têm espaço de aplicação. Entre elas está a inclusão das algas marinhas.

Entenda o processo

As algas marinhas são organismos marinhos importantes fontes de metabólitos, existindo uma grande diversidade delas, destacando-se as chamadas macroalgas, que englobam as algas verdes (divisão Chlorophyta), marrons ou pardas (Phaeophyta) e algas vermelhas (Rhodophyta), de acordo com os pigmentos que possuem.

Os principais produtores são a China e o Japão, seguidos pelos Estados Unidos e Noruega.

As algas marrons são as mais utilizadas na agricultura, principalmente a espécie Ascophyllum nodosum, seguida das verdes, especialmente a Ulva sp. e as vermelhas, como a Kappaphycus alvarezi.

Como elas agem

As algas marinhas, por terem condições desfavoráveis a seu habitat, como temperaturas com grandes variações diuturnas, desenvolvem metabolicamente a capacidade de armazenar os mais variados nutrientes minerais e orgânicos.

Entre os minerais estão todos os nutrientes de plantas. Entre os orgânicos: vitaminas, aminoácidos, hormônios semelhantes aos produzidos pelos vegetais superiores, como citocinas, ácido abscísico e giberelinas, aminoácidos e a glicoproteína, o alginato, que é capaz de reter grande quantidade de água.

Então, as algas marinhas são fontes de várias vitaminas e de outras substâncias, como glicoproteínas, como o alginato e aminoácidos, como a prolina. São ricas em estimulantes naturais, como: auxinas (hormônio do crescimento que governa a divisão celular), giberelina (que induz floração e alongamento celular), citocininas (hormônio da juventude, retardamento da senescência) e abscísico (ABA), em quantidades equilibradas.

São fontes de antioxidantes, substâncias produzidas a partir do metabolismo secundário das algas, que estimulam a proteção natural dos vegetais contra pragas e doenças. Tornam as plantas menos vulneráveis às variáveis abióticas, como temperatura, raios ultravioletas, salinidade, seca, etc.

As algas marinhas podem auxiliar na proteção das plantas às pragas e doenças. Nesse particular, destacam-se as algas verdes do gênero Ulva, que contêm expressivas quantidades de polissacarídeo solúvel em água, denominado ulvana, extraído das paredes celulares, que ativa os mecanismos de defesa vegetal.

Entretanto, observações de literatura deixam claro que espécies de outros gêneros podem contribuir para a resistência das plantas aos fatores bióticos.

Defesa natural

Todas as espécies são fontes de antioxidantes, substâncias produzidas a partir do metabolismo secundário das algas, que estimulam a proteção natural dos vegetais contra pragas e doenças.

O emprego de formulados compostos de algas marinhas no sistema produtivo pode proporcionar a produção de fitoalexinas (indutoras de resistência das plantas às doenças e pragas), fortalecendo os mecanismos de resistência das plantas.

Os extratos de algas, se associados a adubos minerais, podem melhorar a absorção dos mesmos e seu aproveitamento dentro das plantas.

Enraizamento

Foto: Glaucio Genúncio

Como as algas marinhas favorecem a divisão celular, por serem ricas em estimulantes naturais e nutrientes, seu emprego melhora o enraizamento dos vegetais, o que possibilita o melhor uso do solo, de água e de nutrientes.

Tem que ser lembrado que o sistema radicular é a “boca” da planta: a principal via de entrada de água e de nutrientes. Porém, há ainda os minerais e os aminoácidos presentes nas algas marinhas, que podem nutrir o vegetal e potencializar a ação dos adubos minerais.

Seu elevado teor de hidrocoloides (como o alginato) também permite às algas condicionarem propriedades do solo: melhoram a agregação do solo, minimizando a erosão e otimizando a aeração, aumentando a capacidade de retenção e de movimentação da água.

Quando as algas marinhas são aplicadas via aérea, estimulam a atividade respiratória, por ativarem o Ciclo de Krebs, que é sequência metabólica central nos seres vivos, e a fotossíntese, por aumentarem a síntese das clorofilas, que são os pigmentos responsáveis pelo referido processo.

Potencial na agricultura

 Absorção de nutrientes e de água, respiração e fotossíntese são básicos para a vida vegetal, desenvolvimento e produção das plantas. As algas marinhas apresentam-se com potencial para beneficiar os referidos processos, o que respalda o seu uso na agricultura.

Inúmeras contribuições na literatura demostram tal premissa. Assim, produtos à base de algas marinhas têm potencial para melhorar a produção vegetal, em termos de quantidade e qualidade dos produtos, em qualquer espécie vegetal, inclusive em videiras.

Entre as algas marinhas, um dos destaques, quanto à aplicação na agricultura, é a Ascophyllum nodosum. Considera-se que a bioatividade de tal espécie é superior às demais, apesar de todas as outras serem bioativas.

Pesquisas têm evidenciado que o uso de extrato de Ascophyllum nodosum tem promovido aumento de teores de clorofila, do crescimento e produtividade, melhor estabelecimento inicial das plantas, maior resistência a estresse ambiental (como seca, salinidade e alta temperatura) e prolongamento da qualidade pós-colheita.

Em videira, estudos publicados demonstram que o uso de Ascophyllum nodosum beneficia o desenvolvimento da planta, a formação e desenvolvimento das raízes, melhora a absorção de nutrientes, formando frutos maiores e mais uniformes, aumenta a produtividade, qualidade de colheita e pós-colheita.

Provoca, ainda, aumento da resistência a estresses, causados por altas temperaturas, seca ou salinidade. Resultados demonstram que o uso em mudas instaladas no campo, a partir da primeira semana do plantio, proporcionou melhor e mais rápido desenvolvimento, quando comparado à área controle.

Nas uvas

Formulados contendo Ascophyllum nodosum podem ser empregados em qualquer etapa do desenvolvimento da videira.

Em ensaio realizado em Petrolina (PE), com a variedade Crimson Seedless, verificaram-se bagas com coloração mais uniforme e redução de 30% da degrana, ocorrendo, então, maior fixação da baga ao pedicelo.

Outra observação com a mesma variedade, em outros estudos, demonstrou que as citadas algas melhoram a coloração, a uniformidade e propiciam redução de estresse durante a florada.

Um aspecto importante na comercialização para consumo in natura é a manutenção da coloração verde da ráquis por períodos mais longos. O escurecimento da ráquis é um dos fatores considerados na qualidade de pós-colheita de cacho. No processo ocorre oxidação, que persiste do campo até a colheita e a pós-colheita, que leva à degradação da ráquis ao longo do tempo.

A literatura informa que formulados com as algas marinhas Ascophyllum nodosum aplicados aos 15, 25, 30, 45 e 50 dias após a poda de produção reduziram o escurecimento da ráquis.

Ensaio realizado com estacas de Cabernert sauvignon, em tratamentos com Ascophyllum nodosum, aplicadas em pulverização, via solo e a associação pulverização e via solo, proporcionou maior brotação e massa verde e seca.

Assim, pode-se considerar que a introdução de formulados com algas marinhas pode ser alternativa importante. Apesar da apresentação dos resultados referirem-se apenas à Ascophyllum nodosum, outras espécies podem ser interessantes.

Agora, para se ter êxito no uso de tais formulados, é preciso se atentar às recomendações técnicas de profissional capacitado, seguir as recomendações sobre doses, forma e época de aplicação, volume de calda e, no caso de aplicação aérea, o horário da pulverização é importante: sempre naquela com temperaturas mais amenas.

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