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Protetor solar ameniza calorão nas plantas

O estresse térmico pode causar problemas nas plantas em todos os estádios fenológicos. Portanto, uma opção interessante é o uso de produtos protetores solares de plantas.

Harianna Paula Alves de Azevedo
Engenheira agrônoma, doutora em Fitotecnia e professora – Faculdade de Ciências e Tecnologias de Campos Gerais (FACICA)
harianna_tp@hotmail.com

O produtor brasileiro enfrenta cada vez mais desafios para atingir os máximos de produções nas lavouras. Atualmente, o clima tem sido um dos grandes limitadores das produções.

Crédito: Shutterstock

Com o advento do El Niño nestes anos, as temperaturas estão atingindo patamares alarmantes, em conjunto com condições de baixa umidade relativa do ar e longos períodos sem precipitação, podem afetar sobremaneira as plantas em campo.

Danos

O estresse térmico pode causar problemas nas plantas em todos os estádios fenológicos. Na fase inicial, cessa o processo germinativo e atrasa a emergência de plântulas, enquanto na fase de desenvolvimento vegetativo, afeta a clorofila, a percepção luminosa, a fotossíntese no metabolismo do carbono e na translocação dos fotoassimilados.

Em fase reprodutiva, causa o desbalanço nutricional, abortamento de flores, dentre outros problemas. As mudanças ambientais podem afetar também o relacionamento com patógenos e pragas, tornando as plantas mais suscetíveis ao ataque.

Com isso, os programas de pesquisa têm tentado buscar produtos que melhorem os efeitos das altas temperaturas nas plantas a amenizem suas consequências. Práticas agrícolas, como a irrigação, com a manutenção do solo úmido, têm mostrado bons resultados na tolerância ao estresse térmico.

Manter a fertilidade do solo em dia e maiores teores de matéria orgânica no solo também auxilia, uma vez que plantas bem adubadas e com melhor ambiente de desenvolvimento radicular estarão mais vigorosas e suportarão o estresse de maneira mais eficiente.

Onde entra o protetor solar

Uma opção interessante para esse manejo é o uso de produtos protetores solares de plantas. Eles utilizam por base substâncias refletoras.

Assim, o produto é pulverizado nas folhas para refletir parte da radiação e, com isso, diminuir a temperatura nas plantas. Ainda são poucos produtos disponíveis no mercado, mas os mais conhecidos são formulações à base de caolim e hidróxido de cálcio.

Por fazerem a proteção física da luminosidade, quando utilizados com doses acima das recomendadas pelas empresas, eles podem afetar o processo da fotossíntese, bloqueando a luz solar de chegar até as folhas.

Ainda, podem obstruir os estômatos, que são responsáveis pelas trocas gasosas. Mas, quando utilizados segundo as recomendações, criam uma camada física protetora sem interferir na fisiologia da planta, regulando a exposição excessiva à radiação que pode ser prejudicial às plantas, e diminuem a temperatura excessiva no dossel, mantendo as condições adequadas para o desenvolvimento vegetativo e de frutos.

Produtos que são mais sensíveis à luminosidade evitam perdas causadas por queimaduras e escaldaduras. Em plantas recém-transplantadas em campo, melhoram sua adaptação, além da tolerância às condições de seca.

Qual é melhor?

Os produtos à base de caolim e de hidróxido de cálcio são minerais de origem natural, sendo que alguns podem ser utilizados na agricultura orgânica. Eles podem ser misturados a adjuvantes, óleo mineral e agrotóxicos no momento da aplicação.

Em geral, esses produtos são dissolvidos em água e pulverizados com qualquer tipo de equipamento na parte aérea das plantas nos momentos oportunos. Assim, formam um filme de proteção de coloração esbranquiçada que age nessa barreira física aos raios solares.

Na cultura do café há pesquisas sobre os efeitos na cultura aplicando o protetor solar tanto em pré quanto em pós-florada. Os resultados foram satisfatórios, tanto imediatos quanto em efeito residual, com melhorias na escaldadura de folhas e frutos, na maturação dos frutos e qualidade dos grãos, o que é um importante fator na bebida do café.

Houve, ainda, redução da temperatura das folhas, trazendo um conforto térmico às lavouras.

Casos reais

Em plantações de soja e feijão no estado de Goiás, as plantas têm sofrido cada vez mais com as altas temperaturas, e alguns produtores têm atestado que o uso dos protetores solares nessas culturas evitou que as colheitas fossem cerca de 15% menor.

Ao aplicar o protetor solar na cultura da soja, a folha continua ativa na fotossíntese por um período maior de luminosidade no dia, com mais energia gerada. Assim, a planta maximiza a produção de folhas, flores e frutos.

Estudos constantes

Ainda se necessita de mais pesquisas com outras culturas. Os produtos comerciais estão voltados para as culturas dos citros, café, soja, feijão e algumas hortaliças. Entretanto, ainda há muito o que se atestar a respeito dos efeitos em culturas como o milho e o algodão, que são extensivamente plantados no Brasil.

O que se sabe é que, para se ter sucesso, é necessário conhecimento e cautela. Cada produtor entende e sabe das particularidades das suas culturas e lavouras. Assim, deve-se seguir rigorosamente as recomendações de dosagem e modo de aplicação indicadas pela empresa fornecedora, pois o excesso de produto também pode ser prejudicial para as culturas.

Integrar os manejos nas lavouras, como adubação verde, cobertura de solo e irrigação adequada, maximiza os resultados no final. É fundamental adquirir produtos de boa qualidade, advindos de fontes confiáveis e atestadas, seguros à saúde do aplicador e de fácil manuseio.

Em caso de dúvidas sobre utilização, sempre consultar um agrônomo ou especialista na área. É importante adaptar de acordo com o contexto específico de sua lavoura.

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