Septoriose: Todo cuidado é pouco no tomateiro

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Autores

Mariane Gonçalves Ferreira Copatimarianegonferreira@gmail.com

Françoise Dalprá Darivafran_dariva@hotmail.com

Doutorandas em Fitotecnia – Universidade Federal de Viçosa (UFV)

Francielle de Matos FeitosaDoutoranda em Genética e Melhoramento – UFVfranciellefeitosa@gmail.com

Tomate – Crédito: Daniel Lage

Das doenças que incidem sobre a cultura do tomateiro, a septoriose ou mancha-de-septória vem ganhando destaque, principalmente pelo seu alto poder destrutivo, que pode gerar perdas de até 100% à produção. Ademais, essa doença apresenta ampla distribuição geográfica, com relatos de ocorrência na maioria das regiões produtoras do Brasil e do mundo.

O fungo Septoria lycopersici, agente causal da septoriose, coloniza as folhas da planta, tendo os estômatos como principal porta de entrada. Os sintomas iniciais da doença incluem a presença de inúmeras manchas de formato circular a elíptico, medindo de 2,0 a 3,0 mm de diâmetro, e com pontuações negras, que são as estruturas de reprodução do patógeno observadas nas folhas mais velhas, logo após a formação do primeiro cacho.

Com o progresso da doença, as manchas adquirem coloração marrom-acinzentada no centro, com bordas escuras e um halo amarelo ao redor, que pode atingir até 5 mm de diâmetro se as condições forem favoráveis ao desenvolvimento da doença.

Em estágios mais avançados, as manchas coalescem e provocam crestamento (ou queima intensa) com posterior desfolha da planta e exposição dos frutos à queimadura pelo sol. Como o patógeno destrói inicialmente as folhas baixeiras, a “queima da saia” é tida como sintoma chave da doença. Apesar de afetar predominantemente a folhagem, ataques severos causam lesões, geralmente menores e mais escuras, nas hastes, pedúnculo e cálice.  

Epidemias da doença são comuns em condições de temperaturas amenas, em torno de 20 a 25ºC, alta umidade relativa do ar e chuvas constantes, observadas no cultivo de verão na maioria das regiões produtoras de tomate estaqueado.

Nos cultivos de inverno, a septoriose é problemática em sistemas de cultivos irrigados via aspersão. Nos últimos anos, esta doença também tem se tornado bastante destrutiva para as lavouras de tomate industrial irrigadas via pivô central, na região centro-oeste do País.

Um levantamento das doenças do tomateiro publicado pela Embrapa em 2013 apontou a septoriose como a doença fúngica de maior ocorrência, tanto no segmento de tomate de mesa como tomate indústria, com ocorrência registrada em cultivos comerciais dos Estados de São Paulo, Santa Catarina, Espírito Santo, Minas Gerais, Ceará, Goiás e Distrito Federal.

Estratégias de manejo

No mercado sementeiro, ainda não existem cultivares de tomate resistentes à doença disponíveis para comercialização. Dessa forma, o tomaticultor pode utilizar múltiplas estratégias de controle antes e durante o plantio a fim de garantir o controle eficiente nas lavouras.

Antes do plantio, pode-se utilizar o controle preventivo, o qual tem a finalidade de reduzir as fontes de inóculo inicial na cultura. Dentre as principais formas de controle preventivo, podemos destacar a rotação de culturas com plantas de outras famílias, destruição ou remoção dos restos culturais da cultura ou plantas daninhas hospedeiras logo após a colheita da área, plantio de sementes e mudas livres do patógeno e evitar plantios próximos de lavouras mais velhas ou infectadas. No viveiro, recomenda-se a eliminação das mudas contaminadas logo após a identificação do patógeno.

No manejo da cultura, deve-se evitar o sistema de irrigação por aspersão, que promove o molhamento foliar e cria um microclima favorável para a infecção do patógeno. A adubação deve ser equilibrada para possibilitar o pleno desenvolvimento da cultura e, consequentemente, maior resistência em suportar a doença.

Controle

Quando forem identificados focos da doença no campo, deve-se proceder o controle químico, que ainda é o método mais empregado para o controle. No tomateiro, para combater essa doença, pode-se aplicar fungicidas foliares de contato ou sistêmicos.

No Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) existem cerca de 89 produtos registrados para seu controle, como cúpricos, triazóis, isoftalonitrila, ditiocarbamatos, estrubilurinas e inorgânicos. No entanto, vários erros são cometidos durante o controle, os quais comprometem a eficiência no controle do patógeno.

Os erros mais comuns cometidos pelos tomaticultores são a utilização do controle químico quando a doença já se encontra amplamente instalada em plantio de cultivares suscetíveis e a utilização de fungicidas de contato em lavouras com sistema de irrigação por aspersão e/ou em épocas chuvosas.

Esses erros podem ser evitados por meio de aplicação preventiva de fungicidas protetores quando observadas condições climáticas favoráveis ao patógeno e aplicação de fungicidas sistêmicos em lavouras que utilizam a irrigação por aspersão. Ademais, para maximizar o controle é necessário evitar irrigações frequentes e realizá-las pela manhã, para permitir a secagem das folhas antes do anoitecer.

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