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Sistema de irrigação em estufas para tomate em vasos

A irrigação em estufas revoluciona o cultivo de tomates em vasos, garantindo eficiência e qualidade

Ana Carolina Muniz
Técnica agrícola e engenheira agrônoma – Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ)
anacarolinamuniz54@gmail.com

Sistemas de irrigação para tomates em vasos são necessariamente de baixa vazão, com injeção de fertilizantes, já que toda a nutrição das plantas é aplicada via água da irrigação.
O cultivo poderá ser realizado em vasos de plásticos ou sacos de cultivo com substratos que apresentam boa relação de nutrientes e capacidade na retenção de água, sendo os mais usados a fibra de coco, vermiculita, casca de arroz ou casca de pinus.
Nesses cultivos, o sistema de irrigação torna-se fundamental para a condução da produção, visto que a irrigação será o aporte de água e de nutrientes para as plantas por meio de soluções nutritivas.

Manejo de irrigação correto é aliado na alta produtividade
Crédito: Tropical Estufas

Critérios

A escolha do sistema de irrigação e dos seus componentes será a garantia da eficiência do seu sistema, portanto, a escolha da marca e dos produtos estará relacionada com a condução do cultivo.
Dentro do sistema de cultivo em estufas, a irrigação feita por gotejamento é a mais utilizada. Apresenta como vantagem a alta eficiência na aplicação da água e seu uso eficiente. Além disso, o custo com mão de obra torna-se reduzido, quando comparado a outros sistemas.
O sistema possibilita o uso da fertirrigação e o controle da vazão será um grande aliado no manejo da água em seu sistema. Por isso, o uso de emissores ou bicos gotejadores acoplados ao tubo permite um direcionamento da vazão na região em que será fornecida a água e os nutrientes para a planta, diminuindo o desperdício de água e fertilizante.

Opções

Os modelos de bicos gotejadores contam com um sistema de filtragem para a redução de entupimento. Atualmente, já é possível encontrar no mercado tubos gotejadores com furos com espaçamento já determinado.
Um aspecto importante a ser ressaltado será que os modelos de tubos autocompensantes já possuem uma estrutura de filtragem embutida, com o objetivo de apresentar um filtro e diminuir o entupimento da saída de água.

Funciona do sistema

Toda água que chega na planta terá algum aporte nutricional em uma solução nutritiva à base de nitrogênio, fósforo, potássio, magnésio, cálcio e zinco, além de soluções com micronutrientes periodicamente.
A nutrição efetiva da planta gera resistência da planta a doenças e pragas e garante o sabor e a qualidade do fruto. Os fertilizantes são dissolvidos em água e bombeados através de todo o sistema.
A determinação da quantidade de fertilizante será de acordo com a fase e a exigência da cultivar escolhida, além da avaliação da solução nutritiva que chega à planta e dos resultados de amostras que são direcionadas para laboratório.

Vantagens e desvantagens

O tomateiro é uma planta com alta exigência em irrigação, visto que o seu fruto poderá apresentar até 95% de água em sua composição. O excesso ou déficit hídrico tornam-se problemáticos neste cultivo, visto que podem ocasionar a redução do desenvolvimento ou queda na produtividade, sobretudo em períodos críticos, como o florescimento da planta.
A irrigação na cultura do tomate está associada não só com o fornecimento de água, mas com a fonte de nutrientes para a planta necessita ao longo do seu desenvolvimento. O tomate é uma hortaliça com alta demanda de nutrientes, portanto, o balanço deverá ser realizado ao longo de todo o ciclo.
Em estufas ou cultivos protegidos, o uso de sistema de irrigação por gotejamento é um método que vem apresentando bons resultados quando o quesito é uso eficiente da água, baixo custo de mão de obra, utilização na fertirrigação e redução de incidência de doenças foliares.
Como desvantagens está o entupimento dos gotejadores e a diminuição da vazão por conta da perda de carga ao longo do sistema ou por falha no bombeamento.

Dimensionamento do sistema de filtragem

O uso de filtros de água ao longo do sistema de irrigação será necessário para a diminuição da incidência de entupimento dos gotejadores. Para isso, a quantidade necessária de filtros será de acordo com o tamanho do seu sistema, tendo como base um filtro na saída de água principal com o tamanho necessário para a filtragem da vazão de água necessária.
Alguns tubos já apresentam filtros ao longo dos seus furos para gotejamento. O sistema de bombeamento deverá ser capaz de fornecer a pressão necessária para a vazão de água ser constante ao longo de todo o seu sistema.
Hoje, já existem aplicativos que calculam a vazão e qual a pressão necessária a bomba precisará exercer para manter o seu sistema funcionando, mas a consulta à tabela do material utilizado informará esses dados.
Na distribuição da tubulação, torna-se importante a escolha de bons materiais que apresentem boa resistência para a diminuição de custo com substituições e manutenções, além de evitar dobras e emendas para a diminuição de perda de carga ao longo do sistema.
Além disso, o uso de controladores associados à bomba e partida do sistema otimizam o tempo do produtor e garantem a eficiência da rega. Nesses controladores será possível a programação do tempo de rega em diferentes setores, utilização de sensores de umidade, rastreio de vazamento e vazão pré-determinada.
Quando associada à fertirrigação, o uso de insumos mais solúveis e a dissolução correta do material irá favorecer uma distribuição mais efetiva ao longo do cultivo.

Problemas fitossanitários

O cultivo em ambientes controlados apresenta como vantagem a diminuição de incidência de pragas e doenças, porém, torna-se necessário a adoção de medidas fitossanitárias para a garantia de um bom cultivo.
A desinfecção de materiais e utensílios usados na produção será primordial para a diminuição de contaminação cruzada ou propagação de doenças causadas por fungos, ou bactérias.
Nos arredores da estufa, a remoção de plantas hospedeiras e manejo de plantas daninhas tornam-se um aliado para a diminuição populacional de alguns insetos. O controle de entrada e saída dentro das estufas será primordial para a redução de entrada de patógenos. Sugere-se a desinfecção de botas dos colaboradores ao entrar nas estufas.
Para o manejo fitossanitário, o monitoramento e acompanhamento do cultivo será a base nesta etapa. A identificação de pragas e a densidade populacional irá ditar as medidas de controles adotadas.
O uso de armadilhas, iscas e inimigos naturais são utilizados nesses cultivos, além de caldas e pulverizações, quando necessário.
No controle de doenças, a eliminação de plantas doentes poderá ser uma saída no controle da disseminação para outras plantas sadias. O uso de cultivares que apresentam algum grau de resistência e o manejo nutricional adequado será um grande aliado no cultivo de tomate em estufas.

Poda e tutoramento dos tomates em vasos

Para a garantia de uma boa distribuição de foto assimilados na planta e o enchimento de frutos, a desbrota é a prática que elimina brotos laterais que surgem nas axilas das folhas, promovendo uma maior aeração e um maior controle fitossanitário das plantas.
O processo da poda visa eliminar o broto terminal das hastes para a condução do hábito de crescimento indeterminado das plantas, a fim de controlar o crescimento da planta e os processos de floração e frutificação.
Esta prática está associada a cultivos que buscam frutos maiores e mais pesados. Dentro do cultivo protegido, o tutoramento da planta é essencial para a garantia da qualidade do fruto e da aeração, além de ser uma medida indireta no controle fitossanitário, pois reduz o ambiente propício para o desenvolvimento de doenças.

BOX
Melhores variedades

Para esses cultivos, são usados os tomates tipo coquetel, saladete, grape e cereja. Essas variedades apresentam boa resistência a doenças, frutos bem uniformes, grande aceitação pelo mercado consumidor e boa rentabilidade.
Lembrando que o cultivo em estufas poderá resultar numa produtividade maior quando comparado aos cultivos convencionais, porque torna possível uma produção mais homogênea, formando frutos com maior qualidade e sabor, agradando o consumidor e obtendo uma rentabilidade maior no mercado, por ser um produto mais selecionado.
Os produtos finais apresentam uma estética mais agradável, coloração e tamanhos uniformes, além de ser possível produzir em escala o ano inteiro, alcançando o mercado nas melhores cotações.

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