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Soluções biológicas para a resiliência climática

O papel dos biodefensivos na adaptabilidade e no desenvolvimento agrícola

Divulgação

Ana Laura Pavan – Bióloga, PhD em Ciências da Engenharia Ambiental. Coordenadora de Sustentabilidade da Vittia.

Jéssica Brasau – Engenheira Agrônoma, Mestre em Proteção de Plantas. Gerente de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Vittia


A partir das projeções de crescimento populacional mundial, a ONU estima que a produção de alimentos precisará crescer 70% até 2050, com mínimo de avanço em áreas cultiváveis e máxima preservação de recursos naturais. Ao mesmo tempo, a agricultura enfrenta o grande desafio da adaptação às mudanças climáticas. 

Com o aumento das temperaturas médias do planeta, a alteração na distribuição das chuvas e a ocorrência, cada vez mais frequente, de mudanças bruscas no clima, os sistemas de produção agrícola têm sido fortemente impactados, colocando em risco a segurança alimentar global. Esse cenário é ainda mais agravado pela maior incidência de pragas e doenças, favorecidas também pelas alterações climáticas.

O setor agropecuário precisa buscar, portanto, soluções e inovações capazes de garantir adaptabilidade, produtividade e sustentabilidade. Nesse contexto, os bioinsumos já se destacam, há alguns anos, promovendo o equilíbrio dentro da produção agrícola. Mas foi a partir de 2019 que, em um grande esforço colaborativo de pesquisa, a empresa de biotecnologia Vittia e o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Goiano – Campus Rio Verde, iniciaram uma série de estudos e ensaios em busca de um passo além: descobrir como – e o quanto – a utilização de microrganismos específicos de produtos utilizados como biodefensivos poderia contribuir, também, para a redução de danos desencadeados por déficit hídrico (a temida estiagem) na produção da soja. 

Para os estudos, foram utilizados produtos comerciais do portfólio de biodefensivos da Vittia, sendo dois à base de bactérias – o No-Nema, com Bacillus amyloliquefaciens BV03, e o Bio-Imune, com B. subtilis BV02– e um à base de fungos Trichoderma asperellum BV10, oTricho-Turbo. Foram quase quatro anos e diferentes pesquisadores debruçados sobre esse desafio. 

Como resultados, as equipes conseguiram a constatação de que, SIM, as plantas de soja tratadas com os biodefensivos conseguiram manter bom grau de hidratação dos tecidos e maior integridade das membranas celulares, além de conseguir se recuperar mais rápido após a seca severa. Em destaque, os microrganismos conseguiram também retardar o tempo para que as plantas sentissem os efeitos em seus processos fisiológicos devido à falta de água no sistema. As plantas que receberam a aplicação do tratamento biológico apresentaram ainda maior capacidade em captar a luz solar e convertê-la em energia química, maior taxa fotossintética, maior eficiência do uso da água, dentre outros importantes avanços que resultaram em melhor crescimento, desenvolvimento e adaptabilidade da planta. 

Dessa forma, a pesquisa trouxe à luz benefícios ambientais, tais como a redução do estresse hídrico e maior capacidade de absorção e aproveitamento de água pelas plantas, a redução da dependência de irrigação intensiva, maior absorção de nutrientes do solo pelo maior desenvolvimento do sistema radicular, e, portanto, uso eficiente de recursos naturais disponíveis. Como benefícios econômicos, podemos citar, dentre outros, a redução das perdas de colheitas em condições de seca e o aumento da produtividade agrícola, proporcionando maior estabilidade de safras, com segurança econômica para os produtores rurais e oferta mais estável de alimentos aos consumidores.

Avanços em tecnologia, produtividade e sustentabilidade


Os resultados obtidos pela pesquisa da Vittia e IF Goiano representam um importante passo na busca por soluções biotecnológicas para os desafios climáticos enfrentados pela agricultura. Os bioinsumos, como os biodefensivos utilizados nesse projeto, apresentam-se como uma alternativa promissora para impulsionar a produção agrícola de forma sustentável. 

Os microrganismos apresentaram grande potencial para serem usados em programas agrícolas sustentáveis, pois promovem maior tolerância a estresses abióticos, garantem a manutenção do potencial produtivo das culturas e evitam danos econômicos causados por fatores climáticos, como o estresse hídrico. Estes estudos nos mostram que estamos no caminho certo para entregar soluções biotecnológicas para os desafios climáticos.

Ao comprovarmos que, além do combate a pragas e doenças, microrganismos usados em defensivos biológicos têm grande potencial para serem importantes aliados também na superação do desafio de resiliência climática, abrimos um novo caminho para o uso mais eficiente dos recursos naturais e oportunidades para ganhos em produtividade com sustentabilidade. 

Investir em pesquisas e tecnologias que promovam a utilização de bioinsumos na agricultura é essencial para enfrentar os desafios impostos pelas mudanças climáticas e garantir um futuro sustentável para a produção de alimentos. A parceria entre empresas e instituições de ensino, como demonstrado nesse estudo, se mostrou fundamental para impulsionar soluções para o os desafios agronômicos contemporâneos.

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