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quinta-feira, janeiro 20, 2022
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Sudeste à frente da produção de jiló

Jiló- Crédito: shutterstock

O jiló (Solanum aethiopicum) pertence à família das solanáceas. É uma planta semelhante à berinjela e tomate, sendo uma solanácea de grande impacto na rentabilidade da agricultura familiar, que é o principal setor que a produz.
Em função disto, soluções que resolvam a principais dificuldades relatadas pelos produtores, tais como: carência de mão de obra, melhor manejo fitossanitário com controle efetivo da incidência de pragas e doenças, além da produção de mudas de qualidade, melhoria no pós-colheita, com o uso de embalagens adequadas e transporte eficiente, uso de cultivo protegido e fertirrigação perfazem um conjunto de ações que reduzirão custos de produção e melhorarão a qualidade do fruto. Assim, rentabilizarão o produtor e, consequentemente, gerarão riqueza de desenvolvimento local e regional.

Regiões produtoras no Brasil

Segundo o IBGE (2017), o Brasil produziu 78.851 toneladas de jiló, e a área total produtiva correspondeu a 3.000 ha, cuja produção foi de, aproximadamente, 30 ton/ha desta hortaliça.
O Rio de Janeiro é o maior produtor, com 20.362 toneladas, seguido de Minas Gerais, com 17.924, São Paulo com 14.238 toneladas, Goiás com 7.278 toneladas, ES com 3622 toneladas, MT com 1379 toneladas e MS com 805 toneladas.
Assim, a Embrapa destaca que o jiló é cultivado principalmente na região sudeste do Brasil, e o Estado do Rio de Janeiro é responsável por cerca de 30% da produção nacional. As plantações concentram-se na região serrana, embora a cultura seja difundida nas demais regiões do Estado.
As principais cidades produtoras são Nova Friburgo, Sumidouro, Teresópolis e São Sebastião do Alto. Além do Rio de Janeiro, o jiló é uma das hortaliças mais populares no Estado de Minas Gerais, com destaque para a mesorregião do Campo das Vertentes, especialmente a Cidade de Barbacena.
Especificamente em Barbacena (MG), a produção, considerada estável há três anos, é de cerca de 35 mil toneladas, em uma área de 1,4 mil hectares, conforme dados da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG).
Em São Paulo, destacam-se como principais regiões produtoras desta solanácea: Biritiba Mirim, Embu-Guaçu, Ibiúna, Mogi das Cruzes (Cinturão Verde de SP), além de campinas e Sorocaba
É interessante destacar a variabilidade de preços nas diversas regiões do Brasil (dados obtidos na Ceagesp e Ceasas). Por exemplo, o jiló comercializado na BA, ES e PE tem preço médio de R$ 5,00 o quilo em janeiro de 2021.
Por outro lado, no Rio de Janeiro, este produto é comercializado na Ceasa-RJ pelo valor de R$ 2,65 a R$ 3,35/kg, dependendo de sua classificação. Já os preços praticados na Ceagesp levam em consideração a classificação qualitativa do fruto, sendo o quilo do jiló tipo Extra variável entre R$ 3,48 a R$ 4,05, do tipo Extra A entre R$ 1,39 a R$ 1,75 e Extra AA de R$ 2,26 a 2,63 (dados de 18/01/2021).
A análise segmentada destes valores é importante para a gestão da produção e garantia de lucros, uma vez que é uma cultura tipicamente oriunda da agricultura familiar, com unidades que chegam a, no máximo, 100 ha, com médias de 10 ha. Assim, torna-se evidente a importância desta cultura para o desenvolvimento local e regional dos Estados nordestinos, por ser este um produto valorizado regionalmente.

Evolução da cultura

Estima-se uma taxa de crescimento, como de qualquer solanácea, em torno de 5% anualmente, porém, ressaltamos que esta taxa está intimamente ligada a melhorias nas condições de produção desta cultura, além dos aspectos agronômicos que favorecem a garantia de qualidade no pós-colheita, viabilizando ganhos em função da redução de perdas, que podem chegar a 25% entre a saída do produtor e a chegada ao consumidor final.

Sazonalidade

A oferta de inhame é basicamente anual, dada a característica da cultura, entretanto, nos meses de outubro a fevereiro há uma entressafra na oferta do produto, de acordo com a Ceagesp e Ceasas. Esta fase se dá pela alta incidência de chuvas e, consequentemente, perdas severas com doenças da cultura nas regiões produtivas de ocorrência no Sudeste.

Custo de produção e rentabilidade

De acordo com a Emater, o produtor tem o seguinte panorama para produzir um hectare de jiló: o valor percentual no custo da aquisição de sementes está em 12%, a adubação tem influência no custo em 28%, o controle fitossanitário em 3,7%, o uso de mulching em 12% e a mão de obra tem um percentual de 40% de todo o custo de produção.
O total para a implantação de um hectare de jiló produzido no Rio de Janeiro (principal produtor), no ano de 2017, foi calculado para um hectare, com estimativa de produção de 8.900 caixas de 15 kg/ha, comercializado a R$ 35,00/caixa, com receita bruta de R$ 81.000,00 e custos de, aproximadamente R$ 50.000,00, assim gerando uma rentabilidade de R$ 29.000,00/ha

Balanço geral da cultura em 2020

O jiló faz parte da cultura e culinária nacional, principalmente a mineira, desfrutado em pratos na forma frita ou cozida. Configura-se por seu aspecto digestivo e nutritivo. Os frutos possuem 92,5% de água, 1% de proteína, 0,3% de gordura e 6% de carboidrato. É rico em P, Ca e Fe, assim como em vitaminas A, C e do complexo B. Tem propriedades redutoras do colesterol que auxiliam em distúrbios hepáticos, além de distúrbios gastrointestinais e na perda da memória.

Tendência para 2021

O incremento da produção está em função do consumo. Assim, a difusão da culinária regional, a partir da consolidação de pratos típicos ou pratos com uma assinatura da alta gastronomia, favorecerão a expansão do consumo no Brasil, induzindo a um incremento nas áreas produtivas.
Ressalta-se que a culinária do jiló é rica e repleta de opções, tais como: o jiló recheado, o jiló refogado com bacon, a farofa de jiló, além do jiló crocante, jiló à parmegiana, omelete de jiló e da abobrinha com jiló.
Outra vertente a ser explorada para o jiló é para fins medicinais, pois referencia-se como atenuante em problemas hepáticos e dispepsia biliar, além de reduzir colesterol, combater a obesidade e diabetes, como tratamento auxiliar. Também é referenciado no tratamento adjuvante da anemia e em problemas intestinais.

Autoria:
Elisamara Caldeira do Nascimento
Talita de Santana Matos
Doutoras em Agronomia – Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ)
Glaucio da Cruz Genuncio
Professor adjunto – Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT) – glauciogenuncio@gmail.com

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