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Tratamento de sementes é ferramenta contra nematoides

Andressa Cristina Zamboni Machado

Pesquisadora da área de Nematologia do Instituto Agronômico do Paraná, IAPAR

andressa_machado@iapar.br

 

Crédito Shutterstock
Crédito Shutterstock

Nos últimos anos, os fitonematoides tornaram-se motivo de grande preocupação para a agricultura brasileira, seja pela sua ampla distribuição geográfica, pois ocorrem em praticamente todas as regiões de importância agrícola no País, mas, principalmente, pela grande capacidade de causar perdas de produtividade em culturas como soja, algodão, feijão, café, entre outras.

Em algumas regiões do Brasil, como no Centro-Oeste, já foram relatadas perdas de até 80% na produtividade da soja em função do ataque de uma única espécie de nematoide, P. brachyurus, um dos principais problemas da cultura na atualidade.

Atualmente, as principais espécies que ocorrem no País, causando expressivas perdas econômicas, são os nematoides das galhas, Meloidogyne javanica (soja e milho) e M. incognita (soja e milho), o nematoide das lesões, Pratylenchusbrachyurus (soja, algodão e milho), o nematoide de cisto da soja, Heteroderaglycines (soja) e o nematoide reniforme, Rotylenchulusreniformis (soja e algodão).

Sementes tratadas e identificadas por cor - Crédito Marcos Ludwig
Sementes tratadas e identificadas por cor – Crédito Marcos Ludwig

Prejuízos econômicos

Todos eles causam expressiva queda de produção nas culturas principais em que ocorrem. Em média, os nematoides causam perdas de cerca de 10% da produção agrícola mundial, o que corresponde a US$ 173 bilhões, anualmente. Entretanto, em áreas severamente afetadas no Centro-Oeste, as perdas de produção podem chegar a 80%.

Segundo pesquisas recentes da Embrapa e da Aprosoja, os danos provocados por nematoides podem chegar a alarmantes R$ 35 bilhões por ano. Dados recentes da Aprosoja apontam ainda que a área de soja infestada por nematoides no Estado do Mato Grosso chega a 80%, sendo a região oeste a mais afetada, com 92% das lavouras atingidas.

Nestas áreas, cujo potencial de produção seria de 60 sacas, a produção não passa de 45 sacas. Ainda segundo a Fundação Chapadão, apenas a espécie P. brachyurus representa 50% das áreas infestadas. Situação semelhante é encontrada em toda a região Centro-Oeste do País, com muitas lavouras infestadas e presença marcante do nematoide das lesões radiculares.

No Paraná, outro importante Estado produtor de soja, o problema maior ainda fica por conta dos nematoides de galhas, M. incognita e M. javanica, bem como do nematoide de cisto, apesar de P. brachyurus já estar presente na maioria das amostras analisadas, embora em baixos níveis populacionais.

O desafio nessa região é justamente evitar que o nematoide das lesões torne-se o principal problema da soja, a exemplo das regiões produtoras no Cerrado brasileiro.

 Crédito Shutterstock
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Manejo

O controle dos nematoides em culturas de grande extensão geralmente é bastante difícil, por ser oneroso e de eficiência variável. O mais importante é prevenir o estabelecimento desses patógenos em locais onde ainda não ocorrem, pois sua erradicação é praticamente impossível.

Infelizmente, grandes extensões no Brasil já estão infestadas por nematoides, sendo necessária a adoção de medidas para diminuir sua população e permitir o cultivo com menores perdas para o produtor.

Como principais opções para o manejo de nematoides tem-se o uso de cultivares resistentes, a rotação de culturas com plantas não hospedeiras do nematoide e a utilização de nematicidas, seja no sulco de plantio, seja via tratamento de sementes.

Atualmente, no Brasil, o manejo químico de nematoides em soja é feito basicamente pela utilização de nematicidas via tratamento de sementes ou via aplicação no sulco de plantio, devendo ser integrada a outra técnica, como a utilização de cultivares resistentes ou rotação de culturas para melhores resultados.

Novas estratégias de aplicação dos produtos têm substituído tecnologias anteriores, com a utilização de doses baixas ou ultrabaixas de princípios ativos e caldas. Tais procedimentos também visam contornar o impacto ambiental causado pelos nematicidas, sem abrir mão de seu benefício no controle de nematoides, destacando-se o tratamento das sementes e a aplicação no sulco de plantio.

Os nematicidas via sementes

A utilização de nematicidas é uma prática de eficiência variável, uma vez que o adequado controle exercido pelo produto químico é dependente de uma série de fatores, como a granulometria do solo, nível de umidade na lavoura, época de aplicação, entre outros.

O tratamento de sementes, pela facilidade de aplicação, surge como opção de manejo desses patógenos em culturas como soja, milho e algodoeiro. Portanto, o tratamento de sementes com nematicidas tem crescido em importância, seja pela eficiência, seja pela economia, seja pelo pequeno impacto ambiental.

O tratamento de sementes assegura a proteção das raízes iniciais da soja contra a penetração de nematoides presentes no solo, garantindo melhor desenvolvimento inicial da cultura. Além desta característica, o tratamento de sementes ainda surge como opção de fácil aplicação, uma vez que geralmente as sementes já chegam ao produtor tratadas, prontas para o plantio.

Essa matéria completa você encontra na edição de novembro 2017 da revista Campo & Negócios Grãos. Adquira já a sua para leitura integral.

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