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sexta-feira, julho 1, 2022
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Uso de luz na produção de morango

Crédito Shutterstock

Fabrício Custódio de Moura Gonçalves
Doutor em Agronomia/Horticultura – UNESP
fabricio-moura-07@hotmail.com

A produção de morango no Brasil só aumenta. É uma das espécies de maior expressão econômica dentro do grupo das pequenas frutas, com produção estimada em 110 mil toneladas em uma área de 4.200 hectares, tendo diversos usos, como para o consumo in natura e também para a indústria, na fabricação de sucos, geleias e doces.

A alta rentabilidade da produção justifica o grande interesse dos produtores na cultura, porém, a suscetibilidade da planta ao ataque por patógenos de solo tem feito com que o cultivo convencional tenha enfrentado sérios problemas sanitários.

Para sancionar esses problemas e alcançar maior período de produção, pode-se utilizar variedades de dias neutros e também adotar o sistema de cultivo protegido. Este sistema, além de proporcionar melhor controle de proteção de doenças e pragas, estende o período de colheita, com elevada densidade de plantas, aumento dos rendimentos e redução dos custos da lavoura.

Neste sentido, em cultivos de alto valor agregado, como o caso da cultura do morangueiro, a radiação artificial complementar tem sido utilizada como ferramenta potencial para o aumento da produção, da qualidade das frutas, e ainda, na indução do florescimento, sendo, por isso, objeto de diversos estudos em países do exterior.

Manejo

No cultivo protegido de morangos, a manipulação da luz pode ser feita com três finalidades: aumento da intensidade da radiação solar ou do fotoperíodo (número de horas de luz) por meio da iluminação artificial; redução da radiação, pelo sombreamento ou blackout; e modificação do espectro de radiância recebida, por ecrãs ou iluminação com LED (light emitting diode) coloridos.

Existem vários tipos de lâmpadas que possuem diferentes espectros de emissão de luz, cuja escolha dependerá do objetivo da produção. Os sistemas de iluminação tradicional baseiam-se em lâmpadas incandescentes, fluorescentes, de sódio em alta pressão, entre outros, que se colocam sobre a cultura.

O aparecimento das lâmpadas LED (light emitting diode), em substituição às lâmpadas de vapor de sódio de alta pressão, permitiu outras técnicas de iluminação, como a colocação de lâmpadas entre as canópias de plantas, pois têm baixa emissão de calor.

A possibilidade de juntar vários tipos de lâmpadas com diferentes espectros de emissão pode facilitar o crescimento ao longo do ciclo do morango.

Produtividade

A produção de morango em ambiente protegido pretende, de certa forma, proporcionar microclimas favoráveis para o crescimento e desenvolvimento das plantas, contribuindo para a melhoria da produtividade das culturas e a qualidade de produção.

Trata-se de um sistema intensivo de produção que se caracteriza por uma elevada produtividade e uso mais eficiente de fatores de produção. Resultados de pesquisa revelam que plantas de morangos, em termos fisiológicos e produtivos, tanto o uso da combinação de lâmpadas azuis e vermelhas como o uso da luz branca, aumentam a massa de frutas produzidas ao longo do ciclo.

Assim, esses dois tratamentos podem ser indicados para a antecipação e o aumento da massa de frutas produzidas. Ainda sobre aspectos produtivos, a luz azul induz aumento do tamanho das frutas, tendo, por isso, também efeitos positivos na produção ao longo do ciclo.

Em campo

As mudanças na composição espectral da luz induzem diferentes respostas morfogenéticas e fotossintéticas consoantes ao morango. No Brasil, em Holambra, também temos estudos voltados para a aplicação destes sistemas de iluminação com morangueiros.

Os resultados apresentaram que, para a fotossíntese, a parte do espectro de luz mais eficiente é o azul, vermelho e suas variações e que cada cultura a ser plantada necessita de uma mistura de cores diferente para um melhor crescimento e desenvolvimento.

O uso de luz artificial nas cores vermelha e branca aumenta a produtividade em plantas de morangueiro em sistema de cultivo fora de solo recirculante (Costa et al., 2019). Em estudo pioneiro com mesma cultura, Kirschbaum (1998) analisou os efeitos da radiação fotossinteticamente ativa nos espectros do vermelho e vermelho distante (600 – 710 nm), concluindo que baixas intensidades induzem o florescimento sob fotoperíodo curto em cultivos protegidos.

Dessa forma, a produção de flores e frutas poderia ser antecipada com o uso de radiação complementar que emita comprimento de onda na faixa do vermelho (600 nm) e de intensidades nos níveis de 100 a 150 µmol m-2 s-1. Em termos agronômicos, Cocco et al. (2011) destacam que a possibilidade de adiantamento na produção de morangos tem garantido ao produtor maior rentabilidade do cultivo em várias regiões.

Em geral, a utilização do LED (light emitting diode) em plantações de morango, para suprir a luz natural, pode resultar em produção três vezes maior que na agricultura convencional.

Limitações

Cada espécie de planta tem exigências próprias de qualidade e intensidade de radiação, sendo diferentes para cada processo biológico. Assim, a manipulação da luz nas estufas para aumento da intensidade luminosa ou do fotoperíodo é feita com lâmpadas de diferentes tipologias, conforme a espécie hortícola e o objetivo da produção.

A cultura do morango necessita de no máximo seis horas de luz direta. Se forem descontados os períodos nublados, dentro do comprimento do dia, as regiões em condições adequadas para o cultivo da cultura do morango possuem em torno de sete a 12 horas de luz direta.

Este fato indica que o período de menor incidência de luz está muito próximo dos limites da necessidade da cultura. Ao selecionar as combinações certas dos espectros e intensidade da luz, pode-se controlar os vários processos biológicos da planta, como a fotossíntese, a germinação, o crescimento vegetativo e a floração.

Nesse sentido, deve-se ter cuidado na escolha do sistema de luzes artificiais. Para tanto, pode-se realizar testes feitos com luzes vermelhas, azuis e brancas. De acordo com Gerson, as pesquisas americanas comprovaram que diferentes cores de lâmpadas podem provocar reações distintas nas plantas.

A luz vermelha, por exemplo, induz a floração, enquanto a azul influencia o crescimento vegetativo. As plantas que passaram pelos testes em Pelotas (RS) também demonstram algumas distinções quanto ao tipo de cor, mas apresentam maior diferença em produção quando comparadas às que não receberam o tratamento. Em um ano, as que ficaram sob a iluminação artificial produziram cerca de duzentos gramas a mais do que as que contaram apenas com a luz natural.

As luzes de acendimento frias diminuem a necessidade de condicionamento de ar e podem ser aplicadas mais perto das plantas, o que traz a possibilidade de ter mais camadas plantadas em uma mesma área, com o espectro de luz nas camadas centrais e inferiores.

Desta forma, proverá alimentos frescos durante todo o ano com um impacto consideravelmente menor, sem a necessidade de transportar os alimentos por grandes distâncias e reduzindo a emissão de CO2 junto com um menor desperdício de alimentos em diversas fases de produção e distribuição.

Os LEDs (light emitting diode) trazem para os produtores a possibilidade de controle total da produção, tendo para cada cultura uma “receita de luz” específica e a possibilidade de utilizar os equipamentos apenas nos momentos mais adequados em que as plantas necessitam para a fotossíntese, podendo programar o cultivo e reduzir o tempo em até metade do usual.

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