23.6 C
Uberlândia
domingo, maio 26, 2024
- Publicidade -spot_img
InícioArtigosGrãosCresce a incidência da phoma cafeeira

Cresce a incidência da phoma cafeeira

 

Adriano Augusto de Paiva Custódio

Engenheiro agrônomo fitopatologista, IAPAR

custodio@iapar.br

Anselmo Augusto de Paiva Custódio

Engenheiro agrônomo fitotecnista

Cresce a incidência da phoma cafeeira - Crédito Cristiano Soares de Oliveira
Cresce a incidência da phoma cafeeira – Crédito Cristiano Soares de Oliveira

A Phoma pode causar depauperamento progressivo de órgãos aéreos reprodutivos e vegetativos do café, resultando em perdas econômicas na produção. Danos diretos são caracterizados pela abscisão de botões florais, flores e chumbinho devido à mumificação, enquanto danos indiretos são caracterizados por desfolhas contínuas associadas à morte e secas das extremidades de ramos que estimulam uma emissão anormal de ramos secundários e terciários.

Regiões mais atacadas

As regiões cafeeiras mais atacadas pela doença são aquelas com altitude acima de 800-900 metros, em áreas úmidas caracterizadas por ventos constantes, especialmente em MG, ES, SP e BA. Isso porque as condições ambientais nesses locais são favoráveis à doença.

Dias frios, nublados, com chuvas frequentes que prolongam a formação de água livre na folha, temperaturas amenas de 16 a 19ºC associado a ventos fortes e frios que proporcionam danos mecânicos no tecido vegetal favorecem a penetração, infecção e reprodução do patógeno no café.

Deformação do limbo foliar, causada por phoma - Fotos Cristiano Soares de Oliveira
Deformação do limbo foliar, causada por phoma – Fotos Cristiano Soares de Oliveira

Incidência e consequências

Antes classificada como doença secundária, o progresso da mancha de Phoma têm aumentado no Brasil devido a alterações tecnológicas do manejo fitotécnico da cultura, principalmente em cenários de mudanças climáticas.

Por exemplo, podemos citar a abertura de novas áreas de plantio em monocultivo, adensamento de plantas com diferentes arranjos espaciais, utilização em larga escala de operações mecânicas na lavoura, como podas, recolhimento e colheita do café, utilização de novas variedades cultivadas com diferentes arquiteturas de copa ou níveis de resistência genética, crescentes incrementos dos níveis de fertilização do solo e da nutrição mineral do café, e a adoção de técnicas de irrigação que podem aumentar o tempo de molhamento de órgãos aéreos e afetar a fisiologia do café para emitir novos ramos, folhas, flores e chumbinho que beneficiam o ciclo da mancha de Phoma.

Por consequência, alterações do comportamento epidemiológico da doença são inevitáveis, especialmente no sudeste do Brasil, onde está concentrado o maior cultivo de café do mundo. O maior nível de profissionalismo do cafeicultor em manejar fatores bióticos que reduzem a produtividade da lavoura também é outro motivo da maior observação da doença no campo.

Complexo de phoma em folhas de cafeeiro - Fotos Cristiano Soares de Oliveira
Complexo de phoma em folhas de cafeeiro – Fotos Cristiano Soares de Oliveira

Sintomas

No campo a exteriorização típica dos sintomas da doença é frequentemente observada em tecidos jovens devido à infecção inicial do fungo. No limbo foliar são observadas manchas irregulares de coloração escura que podem apresentar perfurações e característicos halos concêntricos variáveis com a temperatura e umidade do ambiente.

Infecções iniciadas nas bordas das folhas ocasionam retorcimentos e fendilhamento. Em ramos são observados rápido escurecimento com posterior secamento e morte. As flores da roseta e todo o fruto jovem, quando infectados, podem apresentar escurecimento e mumificação.

Em algumas ocasiões é possível visualizar estruturas reprodutivas do fungo. Sintomas da doença são mais frequentes em lavouras com faces voltadas para o sul e sudeste, devido ao maior tempo de molhamento foliar e danos mecânicos provocados por ventos.

Quando a diagnose da mancha de Phoma no campo é difícil, amostras do tecido vegetal devem ser adequadamente encaminhadas ao laboratório de clínica fitossanitária para isolamento e identificação do agente etiológico. Resultados de pesquisa provaram que a parte aérea do cafeeiro abriga seis espécies do gênero Phoma, mas que no Brasil a doença tem como agente etiológico e fase assexuada o fungo necrotrófico Phoma tarda.

Os esporos ou conídios do fungo são hialinos com ou sem septo (5-10 x 2,5-3 µm). O fungo P. tarda possui Didymella sp. como fase sexuada. É importante destacar que a mancha de Phoma pode estar associada a outras doenças, formando um complexo de enfermidades. Assim, outras espécies de fungos, como Cercospora coffeicola e Colletrotrichum spp. poderão estar presentes.

Sintomas da phoma no cafeeiro - Fotos Cristiano Soares de Oliveira
Sintomas da phoma no cafeeiro – Fotos Cristiano Soares de Oliveira

Quando controlar

O controle da doença na lavoura deve ser realizado durante todo o ano agrícola, adotando o manejo integrado de tecnologias. Atividades rotineiras na fazenda, como a adequada correção e fertilização dos solos, melhoria da eficácia das operações de mecanização, processos conservacionistas do solo, manejo fitotécnico, como podas, irrigação, população de plantas, espaçamento entrelinhas e agricultura de precisão são alguns exemplos de boas práticas que fazem parte do controle.

Ao programar o controle químico, é importante fazer o monitoramento periódico da lavoura para conhecer a quantidade da mancha de Phoma, que deve ser intensificado em épocas mais favoráveis. Essa etapa é fundamental na tomada de decisão para adotar qualquer intervenção química com fungicidas.

Em folhas, embora ainda não existam estudos científicos detalhados sobre o nível de dano econômico da doença, sabe-se que o início das pulverizações precisa ocorrer no início do período epidêmico.

Na prática, para esta doença policíclica com curto período de incubação (≤ 10 dias), a primeira pulverização com fungicidas sistêmicos tem sido feita com 5 a 10% das folhas com sintomas, pois seu controle em níveis epidêmicos acima disso é dificultado.

No sul de Minas Gerais, por exemplo, níveis acima de 10% de incidência em folhas ocorrem de março a setembro. Já em áreas com surtos epidêmicos sistemáticos nas fases de pré e pós-florada, o controle com fungicidas é recomendado visando a prevenção da doença em flores e chumbinho.

 

Essa matéria completa você encontra na edição de janeiro da revista Campo & Negócios Grãos. Clique aqui para adquirir já a sua.

ARTIGOS RELACIONADOS

Estria bacteriana em lavouras de milho no Paraná

Rui Leite Jr. Adriano Custódio custodio@iapar.br Pesquisadores do IAPAR Tiago Madalosso Pesquisador da COPACOL Fernando Fávero Gerente técnico da COPACOL A estria bacteriana do milho chegou ao Brasil. Reportada pela primeira...

Exportações dos Cafés

Receita cambial gerada com as exportações de café em fevereiro deste ano foi ...

Que problemas o tratamento de sementes pode evitar?

  Daniel Cassetari Neto Engenheiro agrônomo, doutor em Fitopatologia e professor da Universidade Federal de Mato Grosso " UFMT/FAMEV casetari@terra.com.br As culturas da soja e milho estão...

Colheita mecanizada reduz o custo da cenoura

Agnaldo Donizete Ferreira de Carvalho Engenheiro agrônomo da Embrapa Hortaliças Embora difundida há bastante tempo na Europa e nos Estados Unidos, a colheita mecanizada de cenoura...

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui
Captcha verification failed!
Falha na pontuação do usuário captcha. Por favor, entre em contato conosco!