Ácidos húmicos: Tomates mais firmes

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Maria Flaviana de Lima
Graduanda em Agronomia – Faculdade de Ensino Superior e Formação Integral (FAEF, Garça SP)
flavianaaboa@gmail.com
Marcelo de Souza Silva
mrcsouza18@gmail.com
Engenheiro agrônomo, doutor em Agronomia/Horticultura e professor de Agronomia – Faculdade de Ensino Superior e Formação Integral (FAEF – Garça – SP)

A agricultura moderna enfrenta um grande desafio, que é atender a demanda por alimentos em quantidade e qualidade, sob sistemas em que ocorra a exploração racional dos recursos ambientes.
Neste sentindo, faz-se necessário adotar medidas de exploração agrícola que estejam alinhadas com o uso racional dos recursos ambiente, podendo-se destacar a incorporação de ácidos húmicos na produção vegetal, uma vez que esta substância se origina naturalmente da decomposição da matéria orgânica e é capaz de estimular alterações fisiológicas nas plantas, as quais podem contribuir para um melhor desenvolvimento, o que é essencial para que se obtenha ganhos em produtividade e qualidade do tomateiro.

Entenda melhor

Os ácidos húmicos são moléculas complexas de elevado peso molecular, são agregadores moleculares heterogêneos, estabilizados por ponte de hidrogênio e interações hidrofóbicas e podem favorecer o desenvolvimento do sistema radicular, tendo aumento da produção de raízes laterais e dos pelos absorventes, o acúmulo de nutrientes e a biossíntese de clorofilas.
Pode ter ação fito-hormonal e atuar nos processos fotossintéticos e no incremento da produtividade dos cultivos. Sua origem é resultante da oxidação e polimerização da matéria orgânica, podendo influir no crescimento e desenvolvimento de plantas.
Apresentam elevadas massas moleculares e variados grupos funcionais, preconizando que em se tratando dos compostos reguladores de crescimento, diversos experimentos têm comprovado o efeito positivo de ácidos húmicos sobre a fisiologia e sobre o crescimento de plantas.

Composição

O tamanho da molécula na solução nutritiva irá afetar a velocidade de penetração do fertilizante foliar e, como consequência, do mecanismo de absorção cuticular. Ademais, o ácido húmico aumenta o crescimento vegetativo (comprimento da planta, diâmetro do caule e número de folhas e de cachos).
Os ácidos húmicos apresentam baixas concentrações de nitrogênio (N), fósforo (P) e potássio (K), podendo ser complementados com a adubação mineral de maneira que as plantas possam usufruir melhor dos nutrientes por meio do sincronismo de liberação ao longo do crescimento das plantas.
Os ácidos húmicos promovem o incremento do pH, mantendo teores adequados de P e K no solo e reduzindo a perda de N por lixiviação, por apresentar uma solubilidade mais lenta. Quando estes são associados com os fertilizantes químicos, que contêm em sua composição P e K, ocorre incremento nos teores destes elementos no solo.

Manejo

Os produtos à base de ácido húmico com 0,4% podem ser aplicados como pulverização foliar em plantas de tomate nas semanas 2, 4, 6 e 8 após o transplante. Enquanto sob concentrações maiores (10%), a aplicação pode ser realizada quinzenalmente, contando-se do oitavo dia após o transplante, nas doses de 20, 40 e 80 L ha-1, diretamente ao substrato ou leito de plantio.
Para aumentar a eficiência deste produto sobre a qualidade dos frutos, é importante que os locais de transplante das mudas (sistema convencional ou viveiro) estejam devidamente corrigidos quanto aos nutrientes essenciais a esta cultura, seguindo também as recomendações técnicas de cultivo, como manejo fitossanitário, espaçamento de plantio e irrigação.

Benefícios

As substâncias húmicas influenciam diretamente a estrutura física, química e microbiológica dos ambientes onde estão presentes, assim como afetam o metabolismo e o crescimento das plantas, refletindo positivamente nos índices de produtividade e qualidade do tomateiro, sobretudo pela sua influência na síntese de proteínas ligadas à qualidade do tomate.
Sua aplicação pode representar a melhoria dos parâmetros, rendimento e qualidade do fruto. Além de diminuição de incidência de podridão da extremidade da flor, sua aplicação pode refletir, ainda, de forma direta, sobre o aumento do rendimento total da planta e firmeza do fruto.
A produção de tomate industrial é superior quando submetida à aplicação de ácidos húmicos, seja via pulverização foliar ou gotejamento, em comparação com a não aplicação deles na cultura. A planta também responde a esta aplicação, induzindo suas próprias células de defesa a produzir resistência contra patógenos, o que diminui a utilização de defensivos agrícolas.
Vale destacar que esse comportamento pode ser variável, a depender da região de cultivo, variedade utilizada, grau de investimento e destino da produção, bem como da associação com outras práticas de manejo.
Em geral, os benefícios associados ao aumento da firmeza dos frutos em comparação com plantas não tratadas justificam sua adoção, como complemento à nutrição das plantas nos sistemas de cultivo.

Pesquisas

Estudos realizados por Yildirem (2007) com a cultura do tomateiro, em que foi avaliada a ação das substâncias húmicas na qualidade de frutos, mostrou grande destaque dos seus efeitos sobre os atributos de qualidade sólidos solúveis, acidez titulável, pH e firmeza de frutos.
Há aumento da firmeza dos frutos com aplicações pós-transplante de substâncias húmicas junto com substratos (Pires et al., 2007). Neste estudo, os autores observaram interferência do substrato na ação do composto húmico (10% de ácido húmico e 10,2% de ácido fúlvico).
Quando associado com o substrato de fibra de coco, notou-se incremento da firmeza dos frutos à medida que as doses do composto aumentavam e, ainda, redução da atividade das enzimas poligaracturonase (PG) e pectinametilesterase (PME), responsáveis pela degradação da parede celular. Deste modo, o tecido celular se mantém íntegro por mais tempo.
A firmeza é um fator importante de qualidade em tomates para o consumo in natura, pois indica a tolerância do fruto ao transporte e ao manuseio durante a colheita e a comercialização, estando diretamente associado com maior ou menor período de prateleira.
Alguns autores reforçam que, para ser notado efeito positivo sobre a qualidade, faz-se necessário aplicações semanais, para que ocorra maior desenvolvimento da planta e cachos com mais frutos, tendo uma melhora gradativa da produção.
Saliente-se, ainda, que os efeitos do ácido húmico se estendem também ao estado nutricional do tomateiro, indicando aumento significativo de todos os nutrientes (N, P, K e Ca) nas folhas. O aumento dos níveis de potássio e cálcio na planta podem estar diretamente ligados aos efeitos benéficos da maior firmeza dos frutos.

Alerta

Vale destacar que a firmeza dos frutos, sólidos solúveis totais e o teor de vitamina C dos frutos de tomate podem ser aumentados, enquanto a acidez titulável dos frutos tende a reduzir, sob aplicações frequentes de ácido húmico.
Se utilizados em doses erradas, as substâncias húmicas podem ser prejudicais à absorção de nutrientes pelas plantas e sugerem que as respostas às aplicações dessas substâncias podem depender de outros fatores, tais como sua composição e a espécie da planta. Deste modo, recomenda-se que a aplicação da técnica seja acompanhada de profissional habilitado.
É importante salientar que a espécie, o órgão e a idade da planta; a dose recomendada para cada espécie ou cultivar; a fonte de material orgânico, de onde foi extraída e as características físico-químicas específicas das substâncias húmicas a serem utilizadas resultam em respostas variadas.
Em aplicações inadequadas, as substâncias húmicas podem estimular maior síntese de proteínas, em especial de enzimas relacionadas à parede celular, por meio da síntese de novo RNA.
Promove o estímulo da síntese das enzimas pectinametilesterase e poligaracturonase, que acarreta degradação da parede celular e perda de firmeza (Pires et al., 2009), sobretudo em doses de substâncias húmicas elevadas. Este tipo de comportamento está também relacionado às respostas da planta ao aumento da auxina.
Esse hormônio vegetal, com função de crescimento e elongação celular, promove um incremento na síntese das enzimas de degradação da parede celular, facilitando, assim, o processo de crescimento e expansão celular.