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Agricultura regenerativa: o retorno da vida ao solo

Fotos: Alessandro Guieiro

Rafaela Vendruscolo
Doutora em Desenvolvimento Rural e coordenadora de ESG – Solubio
rafaela.vendruscolo@solubio.agr.br

A agricultura regenerativa surge em contraposição ao modelo de agricultura da Revolução Verde, que levou ao uso indiscriminado de insumos químicos e ao esgotamento dos recursos naturais.

Assim, as ameaças a fertilidade do solo e resiliência da agricultura estão mobilizando a adoção de práticas que visam regenerar a saúde do solo a partir de soluções baseadas na natureza (SBN).

De forma resumida, a agricultura regenerativa visa desenvolver um agroecossistema que garanta a segurança alimentar, com soluções que possibilitam a regeneração dos recursos naturais.

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Benefícios

Criada há mais de 40 anos, a agricultura regenerativa tem como premissa mitigar os danos causados por cultivos intensivos, exploratórios, que esgotam os recursos naturais. Assim, permite a prática de uma agricultura produtiva e rentável, com regeneração da biodiversidade e revitalização do solo, em que inimigos naturais são aliados, permitindo o uso racional de insumos químicos e tornando as plantas mais resilientes às alterações climáticas.

As principais dificuldades estão no conhecimento e desenvolvimento das práticas da agricultura regenerativa e da mudança de mindset dos agricultores, habituados ao modelo intensivo e exploratório, focado na racionalidade que envolve o manejo agrícola químico.

Assim, a agricultura regenerativa exige conhecimento e um olhar sobre a vida do agroecossistema, em que o processo de regeneração da biodiversidade demanda tempo e cuidado.

Conservação do solo

A regeneração do solo é possível por meio de práticas como o plantio direto, amplamente usado na produção brasileira de grãos, e a utilização de um mix de plantas de cobertura, mantendo o solo sempre coberto e, como consequência, tendo maior aporte de matéria orgânica.

Ainda, o uso de microrganismos constitui uma ferramenta importante da agricultura regenerativa, os quais têm a capacidade de viver em comunidade e em sinergia com o sistema solo-planta.

Alguns microrganismos são bioindicadores da saúde do solo e podem trazer ótimos resultados para o crescimento das plantas e suas raízes, tornando-as mais resilientes ao ataque de pragas e doenças.

Incremento de produtividade

O aumento da saúde do solo por meio de cobertura de perfil e soluções que permitem o aumento da biodiversidade microbiana no solo e o ressurgimento de inimigos naturais possibilita um agroecossistema mais fértil e resiliente.

Foto: Alessandro Guieiro

O aumento da atividade biológica no solo, possibilitado pelo uso de bioinsumos associados ao manejo com menor perturbação e com o uso de plantas de cobertura, permitem o crescimento das plantas e suas raízes, tornando-as mais resilientes às alterações do clima, como escassez hídrica, bem como ao ataque de pragas e doenças, aspectos que afetam diretamente a produtividade das culturas e a sobrevivência, a médio e longo prazo, do solo.

Por outro lado, é importante destacar que, para além da produtividade, a agricultura regenerativa permite a redução de custo de produção, visto que, evitando o esgotamento dos recursos naturais, se reduz a necessidade de insumos externos e caros.

On farm

O manejo biológico on farm da SoluBio permite ao produtor produzir seus próprios bioinsumos à base de microrganismos na fazenda e, associado a outras práticas de agricultura regenerativa, possibilita uma redução de até 70% do custo de produção, mantendo a produtividade.

Além disso, o produtor não tem esgotamento de recursos naturais como acontece em um manejo essencialmente químico e intensivo, o que evita a degradação e perda de fertilidade do solo a médio e longo prazos.

O que muda?

O cultivo dito tradicional, fruto da modernização da agricultura da segunda metade do século XX, trouxe avanços importante para a segurança e soberania alimentar. Entretanto, trouxe consequências para o meio ambiente e a saúde humana.

A agricultura regenerativa propõe trazer alguns conhecimentos ancestrais que, associados às novas tecnologias baseadas na natureza, promovem uma agricultura que, para além de mitigar os efeitos negativos da produção, visa recuperar a vida, principalmente no solo.

A agricultura regenerativa pode envolver diferentes técnicas como, por exemplo, da agricultura orgânica, agricultura sintrópica, agroecologia, entre outras que têm como foco principal a regeneração da vida no solo.

Manejo

O manejo é bastante focado no solo, um dos principais ativos ambientais, sem o qual não teremos garantia de segurança alimentar para as nações. Dessa forma, envolve práticas como: menor perturbação do solo, manejo conservacionista, manter o solo coberto, realizar rotação de culturas, plantio de mix de cobertura com aporte de matéria orgânica no solo, adoção de cultivares sem transgenia e com tolerância, integração com pecuária com uso de pastagens e aproveitamento dos dejetos animais e uso de bioinsumos à base de microrganismos.

Foto: Alessandro Guieiro

Estes constituem importantes aliados no aumento da atividade biológica do solo, maximizando nutrientes e auxiliando no crescimento das plantas e raízes.

Culturas beneficiadas

Todas as culturas são beneficiadas com técnicas de agricultura regenerativa adaptadas para cada uma e para cada clima. A SoluBio criou uma Plataforma de Agricultura Regenerativa e Resiliência Climática – RegeneraBio.

A Plataforma de Agricultura Regenerativa e Resiliência Climática foi criada pela SoluBio em agosto de 2022, como uma das ações do seu Plano ESG, criado a partir da materialidade ESG da companhia.

A RegeneraBio estabelece uma parceria com o produtor rural para impulsionar práticas de agricultura regenerativa, potencializar o uso dos bioinsumos e monitorar seus impactos positivos na agricultura brasileira. Com isso, construímos a proposta de uma plataforma de conhecimento e informações sobre o papel dos microrganismos para a mitigação de impactos negativos da agricultura, aliados às boas práticas de agricultura regenerativa.

A plataforma é composta por quatro programas:

• Carbono+: Programa de Remoção de GEE;

• Hidro+: Programa de Resiliência Hídrica;

• Bio+: Programa de Regeneração da Biodiversidade;

• Social+: Programa de Impacto Socioeconômico.

A plataforma consiste em um dos projetos estratégicos da SoluBio, que contribui para a sustentabilidade ambiental, não apenas para a companhia e seus parceiros, mas também para a agricultura brasileira.

Assim, a plataforma tem um potencial de geração de informações sobre as boas práticas de regeneração e de resiliência climática da agricultura brasileira. Esse projeto releva o compromisso da SoluBio com a agricultura regenerativa e a resiliência climática.

Por fim, a RegeneraBio visa contribuir com os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU, principalmente no ODS02 – Fome Zero e Agricultura Sustentável, ODS06 – Água Potável e Saneamento, ODS08 – Trabalho descente e crescimento econômico, ODS13 – Ação contra a Mudança Global Climática e ODS15 – Vida Terrestre.

Grupo Scheffer: Mais biodiversidade, mais futuro

Reprodução

A história começou com os fundadores Elizeu Scheffer e Carolina Scheffer, que migraram do interior do Paraná para Mato Grosso, nos anos 80. A primeira área cultivada da Scheffer possuía 400 hectares de soja, em 1986.

Dez anos depois, os fundadores foram pioneiros na produção de algodão em Sapezal, inicialmente em 145 hectares, trabalhando com uma cultura nova, sem história de produção na região.

Atualmente, a direção segue com os filhos Gilliard, Gislayne e Guilherme Scheffer, que continuam o legado da família e mantêm o espírito inovador dos pais, fazendo da companhia uma das principais produtoras do Brasil, sendo a primeira empresa brasileira do agronegócio certificada com o selo Regenagri®, pelas práticas de agricultura regenerativa.

Foco no bem

“Estamos focados em nos tornarmos uma empresa com 100% da nossa produção agrícola regenerativa”, dizem os diretores do Grupo. Para eles, praticar uma agricultura mais equilibrada com foco na saúde do solo e na longevidade do negócio é o que os motiva.

E assim, desde 2015 iniciaram a transformação das áreas com o cultivo de 400 hectares regenerativos, que foram consolidados por meio de intensos estudos, pesquisa e apoio de renomados microbiologistas e profissionais da área.

“A soja é a nossa cultura de primeira safra e já produzimos com práticas regenerativas em larga escala mantendo a qualidade dos grãos. Esse resultado é alcançando através de um manejo cuidadoso com o solo, plantio direto e de cobertura, controle seletivo e racional de plantas daninhas, Manejo Integrado de Pragas (MIP) e Doenças (MID). Investimos em tecnologias que permitem o acompanhamento diário das atividades biológicas nos talhões. Esse trabalho garante a preservação dos nossos solos e sistemas, traz bons resultados e segurança para que os nossos produtos atendam às necessidades do mercado”, revelam.

Desde a safra 2015/16, o Grupo iniciou o cultivo do algodão regenerativo em suas lavouras. Além de todos os benefícios de ser uma fibra natural, o algodão cultivado nesse sistema utiliza práticas regenerativas, como uso de produtos biológicos e redução de químicos. A produção é 100% certificada pela Better Cotton Iniciative (BCI) e pelo Algodão Brasileiro Responsável (ABR) e atende aos altos padrões exigidos pelo mercado.

Foram evoluindo gradualmente e chegaram ao final de 2021 com 4.055,65 hectares de áreas regenerativas certificadas. Esse resultado foi alcançado com o suporte de recursos tecnológicos e uma equipe interdisciplinar dedicada a estudos e a pesquisas de viabilidade técnica com foco na busca de alternativas biológicas para uso na agricultura regenerativa.

Vida no solo

A agricultura regenerativa consiste em um conjunto de práticas que recuperam e mantêm a saúde no solo, aumentando a biodiversidade e contribuindo para uma agricultura de baixa emissão de carbono.

Isso gera condições para que os microrganismos presentes no solo atuem a favor do desenvolvimento da cultura agrícola e contribuam para a produção de plantas mais saudáveis. As práticas agrícolas que criam sistemas regenerativos têm sido cada vez mais difundidas pelo mundo, devido a diversos fatores benéficos

Os benefícios da agricultura regenerativa

Regenerar o solo gera impactos positivos para todos: para a vida no solo, às pessoas, ao negócio e ao planeta como um todo. A partir desse modelo de agricultura, o Grupo Scheffer enxerga que o seu futuro na produção de fibras e grãos necessita ser cada vez mais sustentável. Por isso, mantém o foco em estudos e pesquisas que possibilitem a viabilização técnica e econômica de alternativas biológicas.

Para isso, conta com laboratório para desenvolvimento de pesquisa e indústria de produtos biológicos que atende toda a sua produção, e uma equipe interdisciplinar composta por mestres e doutores em ciência do solo, engenharia agronômica, especialistas em biotecnologia e bioprocessos, biólogos, engenheiros de produção, agrônomos, pesquisadores e técnicos agropecuários, entre outros profissionais.

Dentre as práticas que utiliza em suas unidades de produção, estão:

• Preservação de áreas de vegetação nativa;

• Solo coberto com palhada;

• Gestão do uso de água;

• Redução do uso de químicos;

• Rotação de culturas;

• Uso de produtos biológicos para controle de pragas e doenças;

• Culturas de coberturas;

• Gestão do uso de água;

• Compostagem.

E esse é só o começo. Por acreditar no potencial da agricultura regenerativa, o Grupo tem como meta expandir as práticas regenerativas para todas as unidades de produção da empresa.

“A agricultura regenerativa reconecta a nossa vida com a vida da terra. E conexão saudável e produtiva com toda a cadeia é algo muito valioso para nós. É boa para a natureza, para nós, para quem compra e vende, para quem consome. É garantia para o futuro, para os negócios e o mundo”, concluem os administradores do Grupo Scheffer.

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