Biodefensivos: Benefícios para cenoura

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Fábio Olivieri de Nobile Professor titular do Centro Universitário da Fundação Educacional de Barretos (UNIFEB) fabio.nobile@unifeb.edu.br

Maria Gabriela Anunciação Engenheira agrônoma – UNIFEB

Cenoura – Créditos: shurtterstock

A cenoura é uma hortaliça fortemente aceita pelos brasileiros, de grande valor nutricional e presente em vários tipos de pratos. Crua ou cozida, é uma das 10 principais hortaliças produzidas no País, não é por menos que tem cerca de 35 mil hectares cultivados, com cerca 900 mil toneladas produzidas, essencialmente em canteiros irrigados por grandes pivôs, como na região de São Gotardo, município mineiro fortemente conhecido pela produção de hortaliças.

No entanto, há grandes índices produtivos na Bahia, Goiás e por toda extensão do território nacional.

Cultivo

O ciclo da cultura dura entre 80 e 130 dias, sendo que neste período ela está sujeita a diversos patógenos presentes no solo que podem causar podridões, tombamentos e formação inadequada, como fungos fitopatogênicos, a exemplo da Rhizoctonia solani e outros organismos maléficos como fitonematoides.

Fato é que muitos são os fatores capazes de reduzir a produtividade. Na vertente biótica temos pragas que são capazes de reduzir a sanidade e vigor de plântulas e também impedir a formação adequada das cenouras colhidas. Sabe-se que o consumidor tem preferência por raízes com comprimento entre 15 e 25 cm, sempre em condições vistosas.

Ataque de pragas e doenças

Em áreas atacadas por nematoides, por exemplo, o maior causador de problemas é o nematoide-das-galhas. Em diversas áreas ao redor do Brasil, a perda causada tem grande amplitude, de 25 a 100%.

Os principais sintomas inferem em desigualdade de crescimento, nanismo, desfolha precoce da parte aérea e amarelecimento das folhas. Muitas vezes a planta não consegue se estabelecer adequadamente, mas em outros casos ela pode não se desenvolver de maneira suficientemente satisfatória para ser considerada ideal para comercialização, sendo descartada durante a colheita ou beneficiamento.

Como ataque comum, também há as podridões, que podem ocorrer de maneira pré ou pós-emergente. No primeiro caso haverá redução do número de plantas, enquanto no segundo, caso as plântulas adquiram sintomas de encharcamento, posteriormente são tombadas.

É claro que, neste aspecto, é preciso citar que sementes devem ser adquiridas de locais idôneos e o histórico da área deve ser bem estudado antes da instalação da cultura, de modo a quebrar o ciclo das pragas presentes.

Evolução no controle

Assim, a utilização de biodefensivos tem crescido de maneira exponencial na agricultura geral, e na cultura da cenoura a utilização destes insumos tem muito retorno. Os principais microrganismos utilizados para manter o apropriado desenvolvimento são os fungos do gênero Trichoderma, com vários produtos registrados na vertente bionematicida e biofungicida e destaque também para as bactérias do gênero Bacillus, especialmente Bacillus subtilis.

Eventos experimentais demonstram que as áreas tratadas com biodefensivos podem divergir em até nove plantas por metro, o que implica em uma crescente produtividade final ao avaliarmos a quantidade produzida por hectare. Importante considerar que áreas extremamente produtivas no Brasil, segundo a Embrapa, chegam até 30.000 kg/ha, no entanto, considerando as novas cultivares que integram o sistema de genótipo e ambiente, esse potencial pode dobrar.

Claro que isso acontecerá somente em condições favoráveis para o desenvolvimento da cultura, no entanto, poucos produtores conseguem atingir o teto máximo, ficando muitas vezes abaixo, mesmo em sistemas irrigados.

Vale a pena investir em biodefensivos?

A pluralidade dos microrganismos que, além de protegerem o sistema de cultivo, disponibilizam nutrientes e incentivam a produção de fitohormônios, indica que sim. O uso, normalmente, varia entre 200 e 300 mL/ha, no entanto, essa quantidade vai depender do defensivo escolhido.

Uma vez considerada a finalidade, a concentração e os microrganismos presentes na formulação e o tipo de formulação, no mercado temos produtos em forma de pó e na forma de líquido.

Além disso, o manejo adotado dependerá das recomendações técnicas do profissional. Usualmente, são feitas duas aplicações, uma durante a semeadura, pulverizando o solo e, posteriormente, uma outra aplicação durante o crescimento da planta.

 De maneira geral, para exemplificar, podemos considerar os valores médios de mercado e consideramos que o acréscimo no custo final será de, aproximadamente, R$100,00 por hectare.

Considerando apenas o custo do biodefensivo, experimentos conduzidos em diversos locais do País indicam que a produtividade pode ter aumento de 15 a 20%, quando a aplicados os microrganismos, ou seja, se levarmos em conta a produtividade média de 30.000 kg de cenoura, temos um acréscimo médio de 4.500 kg.

Dados do CEPEA (Centro de Estudo Avançado em Economia Aplicada) indicam que a caixa de cenoura “suja”, pesando 29 kg, em fevereiro de 2021 chegou a custar, em média, R$ 22,95.

Evolução do setor

Considerando este cenário, é inevitável que o setor de produtos biológicos cresça cada vez mais. O mercado tem pedido por inovação sustentável e as grandes empresas, certamente, já notaram isso.

 É por isso que a pesquisa e desenvolvimento de produtos à base não só de microrganismos, mas também de seus metabólitos, tem tomado conta dos centros de pesquisa. Temos muitos produtos registrados com os mesmos microrganismos e a inovação vem justamente da necessidade de novos biodefensivos que vão atenuar estresses abióticos e combater estresses bióticos.

Além disso, é importante buscar por produtos devidamente registrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, que passam por rigoroso controle de qualidade, de maneira a garantir a aplicação adequada e a segurança de todos os envolvidos, desde a segurança de trabalho até a segurança alimentar do consumidor final.

Vale lembrar, por último, que a tecnologia dos bioinsumos está atrelada ao futuro da agricultura, sendo necessário o uso correto e assertivo da técnica. Por isso, consulte sempre um responsável técnico para que a máxima produtividade seja atingida de maneira adequada.