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sexta-feira, agosto 12, 2022
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Caracterização e comprovação da eficiência dos agroquímicos

Paulo R. C. Castro

Engenheiro agrônomo e professor titular da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz“ da Universidade de São Paulo

prcastro@usp.br

 

Eficiência dos hormônios vegetais na agricultura - Créditos Shutterstock
Eficiência dos hormônios vegetais na agricultura – Créditos Shutterstock

Na atualidade verificamos, principalmente em publicações técnicas e de divulgação agrícola, uma enorme utilização de denominações de agroquímicos que confundem o produtor interessado em adquirir e utilizar produtos que melhorem o desempenho de seu cultivo e, consequentemente, aumentem a produtividade e a qualidade na colheita, de forma econômica.

Na realidade, o que pode ser utilizado com segurança, respaldado em pesquisas bem conduzidas e publicadas em revistas científicas renomadas, infelizmente não contempla toda essa miríade de produtos oferecidos no mercado, alavancados por marketing e elaborada propaganda, ao invés de passar por intensa pesquisa e desenvolvimento, em nossas condições.

Os nutrientes minerais precisam ser de boa origem, conter os sais minerais nas concentrações indicadas e que sejam disponibilizados adequadamente na solução do solo ou na aplicação foliar, de maneira a manter o equilíbrio nutricional da planta, que será demonstrado no vigor e produção do cultivo.

 Perdas de soja por acamamento podem ser evitadas com alguns produtos específicos- Créditos Shutterstock
Perdas de soja por acamamento podem ser evitadas com alguns produtos específicos- Créditos Shutterstock

Hormônios

Hormônios vegetais endógenos ou sintéticos, quando aplicados nas plantas, recebem a denominação de reguladores vegetais (biorreguladores). Essas substâncias pertencem aos grupos das auxinas, giberelinas, citocininas, retardadores, inibidores e etileno.

Apesar de existirem nas plantas outros hormônios endógenos (brassinosteroides, poliaminas, jasmonatos, salicilatos, strigolactonas, etc.), esses ainda não têm sido utilizados extensivamente como biorreguladores. Caracterizam-se como substâncias orgânicas complexas, não nutrientes, que a baixas concentrações (10⁻¹⁵ – 10⁻⁴ M) são capazes de promover, modificar ou inibir processos morfológicos e fisiológicos dos vegetais.

Pesquisas desenvolvidas com esses agroquímicos desde a década de 40 possibilitaram estabelecer aplicações nos mais diferentes cultivos com resultados bem conhecidos, que tem permitido grandes avanços no manejo das plantas cultivadas.

Auxinas, como o ácido indolbutírico e ácido naftalenacético (NAA), têm sido amplamente utilizadas no enraizamento de estacas para a propagação de espécies vegetais. Aplicação de ácido indolilacético (10 mg L-1) em morangueiro, na antese floral e repetindo-se duas vezes com intervalos de sete dias, aumenta a produção de morango.

Pulverização de árvores de macieira ‘Rome Beauty’ com NAA 20 mg L-1, antes da queda dos frutos, evita a abscisão precoce de maçãs. Muitas outras aplicações de auxinas têm auxiliado os produtores no manejo dos cultivos.

As aplicações devem contar com orientação profissional- Créditos Shutterstock
As aplicações devem contar com orientação profissional- Créditos Shutterstock

Mais que benefícios

As giberelinas (GA) podem acelerar a germinação de sementes em numerosas espécies vegetais. A imersão de tubérculos-semente de batata por 10 minutos em GA 10 mg L-1 promove a precocidade da brotação e melhora o estande na emergência.

A aplicação de GA em videiras aumenta o tamanho do cacho e a distribuição das bagas, reduzindo a ocorrência de doenças e aumentando a produção. Atrasando-se a colheita de tangerina ‘Ponkan’ com GA 10 mg L-1, antes da alteração da cor verde da casca, possibilita aumento na economicidade da produção.

As citocininas em combinação com auxinas têm possibilitado a proliferação celular na morfogênese e organogênese de numerosas espécies vegetais em cultura de tecidos, visando a micropropagação. Pulverização com benziladenina 5 a 10 mg L-1 em pré-colheita auxilia na manutenção da alface e outras folhosas, frescas e verdes, por três a cinco dias extras, após a embalagem do produto.

Os retardadores, como o chlormequat (CCC) 1000 mg L-1, podem ser aplicados previamente ao transplante de mudas de hortaliças para se obter plantas mais compactas e resistentes. Em algodoeiro pode-se aplicar CCC 450 mg L-1 para evitar o excessivo crescimento das plantas e viabilizar a mecanização da cultura.

As plantas de soja podem ser pulverizadas com TIBA 30 mg L-1 no estádio V4 para se evitar perdas por acamamento. Plantas ornamentais envasadas podem ser pulverizadas com daminozide para se manter compactas e produzir flores de melhor qualidade.

Etil-trinexapac e sulfometuron metil, aplicados no desenvolvimento da cana-de-açúcar, diminuem a isoporização do colmo, incrementam o teor de açúcar e induzem a maturação precoce.

A aplicação de hormônioaumenta o teor de sacarose na cana-de-açúcar - Créditos Shutterstock
A aplicação de hormônioaumenta o teor de sacarose na cana-de-açúcar – Créditos Shutterstock

Inibidores de crescimento

Inibidores de crescimento têm sido extensivamente utilizados no controle do desenvolvimento de gramados, cercas vivas e árvores, após a poda, principalmente em áreas urbanas. Diquat 2 L ha-1 inibe totalmente o florescimento da cana-de-açúcar por meio de necrose da região apical. Hidrazida maleica tem sido utilizada para a manutenção de bulbos e tubérculos dormentes, no armazenamento.

Etileno pode ser liberado pelo ethephon, que se constitui no biorregulador mais utilizado na agricultura. Plantas de pepino, com quatro folhas definitivas, pulverizadas com ethephon 400 mg L-1, antecipam  a antese da floração feminina, possibilitando colheita precoce, aumento na produção e melhoria na qualidade.

Ethephon 200 mg L-1 provoca a queda de frutinhos de citros, evitando o excesso prejudicial de frutos na árvore. Ethephon aplicado no corte de sangria da seringueira aumenta a produção de látex. Aplicação de ethephon antecipa a maturação, aumentando o teor de sacarose na cana-de-açúcar.

Esse biorregulador gasoso é disponibilizado nos frutos de citros, abacaxi, tomate, pêssegos, etc., quando pulverizados com ethephon, promovendo a maturação.

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