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Colheita semimecanizada no conilon já é um sucesso

Fábio Luiz Partelli

Engenheiro agrônomo, doutor em Produção Vegetal e professor – Universidade Federal do Espírito Santo (UFES)

partelli@yahoo.com.br

Alex Campanharo

Engenheiro agrônomo e técnico – UFES

 

 Fotos Fábio Partelli
Fotos Fábio Partelli

No mundo, em 2016 foram colhidas mais de 150 milhões de sacas, sendo 95 milhões de C. arabica e 56 milhões de C. canephora. O café movimenta US$ 175 bilhões, sendo produzido por mais de 25 milhões de famílias.

Há muitos anos o café conilon vem sendo adicionado ao café arábica para acentuar o sabor da bebida e na preparação de café solúvel, o que justifica seu uso pela indústria de café no Brasil e no mundo (Morais et al., 2009). Recentemente, e de forma crescente, o café conilon de boa qualidade também vem sendo utilizado em misturas de bons arábicas.

O uso de novas tecnologias tem contribuído significativamente para o aumento da produção de café conilon, tais como variedades melhoradas, irrigação, uso correto da calagem e adubação, realização de análise foliar, poda programada por ciclo, adensamento, controle fitossanitário e outras práticas de manejo, como a colheita semimecanizada.

Colheita sobre a lona - Fotos Fábio Partelli
Colheita sobre a lona – Fotos Fábio Partelli

Colheita semimecanizada

A colheita semimecanizada está se tornando uma realidade e uma necessidade nas regiões produtoras de conilon (Espírito Santo, Bahia e Rondônia), por ser uma alternativa de colheita eficiente, com redução de mão de obra e redução de custo operacional.

Os primeiros trabalhos realizados sobre mecanização no conilon foram desenvolvidos com a utilização de máquinas colhedoras utilizadas no café arábica. Entretanto, não se obteve sucesso com a prática, em virtude da diferença entre a arquitetura da planta, sistema de poda empregado, número de galhos (ramos ortotrópicos) e, principalmente, pela “configuração“ da planta, como por exemplo, ramos plagiotrópicos longos e concentrados em uma camada da planta e em três ou mais galhos.

Atualmente, o mercado possui diferentes tipos de máquinas: automotriz – ainda em testes/adaptações; derriçadora estacionária, em que os galhos são levados até a máquina manualmente, geralmente usada quando há poda dos galhos; e derriçadora com lona recolhedora, usada quando há poda de ramos plagiotrópicos, sendo o sistema mais utilizado.

Fábio Luiz Partelli, professor da UFES - Fotos Fábio Partelli
Fábio Luiz Partelli, professor da UFES – Fotos Fábio Partelli

Derriça

A trilhadora/derriçadora com recolhimento de lona é o maquinário com maior difusão, pois além de diminuir custos da colheita, o procedimento antecipa a poda de ramos plagiotrópicos mais velhos (ao serem retirados com os frutos), prática que seria necessária após a colheita manual.

Esse sistema utiliza lonas resistentes espalhadas nas carreiras de café e abaixo da “saia“ das plantas do cafeeiro. Espalham-se as lonas (geralmente de 50 metros de comprimento), e posteriormente é realizado o corte dos ramos plagiotrópicos a serem colhidos, os quais devem apresentar cerca de 2/3 da capacidade produtiva, variando de acordo com o manejo do produtor.

Essa operação é realizada com auxílio de facão ou foice de poda, de modo que o material retirado das plantas permaneça sobre a lona. Depois, faz-se a derriçagem manual dos grãos presentes nos galhos e nos ramos plagiotrópicos mais novos (que não serão retirados), finalizando a etapa de colheita sobre a lona.

A máquina derriçadora/recolhedora de lona fica estacionada no carreador no início da linha, e as lonas são acopladas ao sistema de rolo, que é acionado pelo operador, recolhendo as lonas junto com o café derriçado, sendo trazido para dentro do maquinário. Assim, a lona é recolhida e os ramos trilhados (separação dos frutos dos ramos e outros restos vegetais).

Os grãos derriçados (separados) são depositados em uma caçamba da própria máquina, com capacidade aproximada de 6.400 litros. Quando cheia, é baldeada por carroça ou caminhão basculante até a estrutura de secagem, que também gera economia no carregamento do café.

Capacidade

A capacidade de colheita diária pode passar de 60 mil litros de café por dia, com uma equipe de aproximadamente 20 pessoas, ou seja, uma grande redução de mão de obra e custo de colheita.

Geralmente são pagos de R$ 10 a R$ 12 para a colheita manual por saca de 80 litros maduro. É comum os agricultores que possuem a máquina relatarem que têm tido um gasto de R$ 3,5 a R$ 5 para colher o mesmo volume (80 litros).

Dentre as vantagens da colheita semimecanizada, podem-se destacar: redução de mão de obra, do custo e do tempo de colheita; realização de poda simultaneamente com a colheita, otimizando os processos; redução de estresse pós-colheita da planta pela antecipação da poda; redução e eliminação de resíduos de poda, com possível redução de inoculo de doenças e pragas; maior percentual de frutos maduros na colheita sem contato com o solo e redução do tempo do café colhido no campo, evitando a fermentação dos grãos.

 

Essa matéria completa você encontra na edição de junho de 2018 da Revista Campo & Negócios Grãos. Adquira o seu exemplar para leitura completa.

 

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