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Como iniciar a produção de maracujá

José Carlos Cavichioli

Pesquisador científico da APTA ” Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios, Polo Regional Alta Paulista, Adamantina (SP)

jccavichioli@apta.sp.gov.br

Fotos José Carlos Cavichioli
Fotos José Carlos Cavichioli

O Brasil é o maior produtor e consumidor mundial de maracujá. Entretanto, a produtividade média nacional é considerada baixa, em torno de 14 t/ha. Isso se deve, principalmente, à ocorrência de doenças e à nutrição das plantas.

Dados do IBGE mostram que em 2015 o Brasil produziu 694.539 toneladas numa área de 50.837 ha. Desse total, a região sudeste produziu 105.309 toneladas em uma área de 5.605 ha.

O mercado é promissor, pois há uma grande capacidade de absorção do fruto, tanto pelas indústrias processadoras como pelo mercado de fruta in natura. A demanda de maracujá aumentou nos últimos anos, com a instalação de novas indústrias de processamento.

Mercado

Uma parte da produção de maracujá é destinada às indústrias processadoras para fabricação de polpa e sucos prontos para beber e a outra parte é destinada para consumo in natura.

Cuidados

 Quebra vento Napier - Fotos José Carlos Cavichioli
Quebra vento Napier – Fotos José Carlos Cavichioli

Para o plantio do maracujá, as primeiras considerações a serem feitas pelo produtor são:

â–ºEscolha da área: deverão ser observados alguns critérios, como a escolha de áreas com boa drenagem, solos de adequada fertilidade, que não apresentem camada impermeável, pedregosa ou endurecida, a menos de dois metros de profundidade. Quando possível, que não tenham histórico da ocorrência de morte prematura de plantas, uma doença associada a fungos do solo, como Fusarium, bactéria e nematoides, que se manifestam e dizimam rapidamente as plantas quando entram em produção.

â–ºNunca realizar plantios novos próximos de pomares em produção contendo plantas com sintomas do vírus do endurecimento dos frutos. A recomendação é sempre utilizar áreas tão distantes quanto possível dos pomares anteriores.

â–ºManejo antes da implantação da cultura: uma vez escolhida a área a ser implantado o pomar, é interessante que o produtor realize uma adubação verde, que consiste no cultivo de plantas capazes de melhorar as condições químicas, físicas e biológicas do solo. Tanto gramíneas como leguminosas podem ser utilizadas para esta finalidade. Dar preferência às leguminosas pela sua capacidade de fixar o nitrogênio da atmosfera por simbiose, trazendo este nutriente para o solo, numa forma disponível para as plantas. As espécies mais indicadas para a região oeste do Estado são: Crotalariajuncea, Crotalariaspectabilis e mucuna anã.

â–ºAnálise de solo: antes de qualquer operação, é importante fazer a análise de solo. De acordo com os resultados, o produtor saberá da necessidade ou não da correção do mesmo e as quantidades de nutrientes a aplicar no plantio e nas adubações de cobertura do maracujá.

â–ºPreparo do solo: o produtor pode realizar o preparo convencional do solo, com aração e gradagens, realizando em seguida a sulcação, onde será depositado o adubo. Atualmente, o mais recomendado é que se utilize o plantio direto ou o cultivo mínimo, que reduzem os riscos de erosão e contribuem para a conservação dos solos.

Neste caso, aplica-se um herbicida nas linhas de plantio, e após a dessecação faz-se a abertura das covas ou dos sulcos, mantendo-se as entrelinhas da cultura apenas roçadas.

â–ºInstalação de quebra-vento: o vento é altamente prejudicial ao maracujazeiro. Dependendo da sua velocidade, pode dificultar o crescimento da planta até o fio do arame do sistema de sustentação, podendo também provocar a quebra de plantas ainda em formação. Em algumas situações, causa o tombamento de linhas inteiras da cultura. Também é responsável por lesões nas folhas, que servem de porta de entrada para algumas doenças.

Frutos no ponto de colheita - Fotos José Carlos Cavichioli
Frutos no ponto de colheita – Fotos José Carlos Cavichioli

As mudas

As mudas são consideradas o insumo mais importante na implantação de um pomar. O produtor poderá produzi-las a partir de sementes selecionadas e/ou adquiridas de viveiros credenciados pelo MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) e inscritas no Registro Nacional de Sementes e Mudas (Renasem).

O uso de telados antiafídeos é fundamental para evitar a infecção pelo vírus do endurecimento dos frutos. A propagação do maracujazeiro em escala comercial é feita quase exclusivamente por sementes, mas pode também ser realizada por enxertia e estaquia.

As mudas de maracujá advindas de sementes são formadas por dois processos – o tradicional ou o sistema de “mudão“. No sistema tradicional, as mudas produzidas em sacolas plásticas ou tubetes vão para o campo com cerca de 30 cm nos meses de março/abril, coincidindo com o período de produção da safra anterior, ou seja, a infecção precoce da planta resulta em queda de produtividade e qualidade do fruto.

No sistema de “mudão“, são produzidas mudas de porte alto, em sacolas plásticas e em viveiros protegidos com telado antiafídeo. As mudas podem ser levadas para o campo com mais de 1,5 m de altura até o mês de agosto, após a colheita e a eliminação da cultura anterior. O objetivo é quebrar o ciclo da doença e produzir o maracujá nos meses de dezembro a março, que é o período de maior demanda de suco.

Essa matéria completa você encontra na edição de fevereiro 2017  da revista Campo & Negócios Hortifrúti. Adquira já a sua para leitura integral.

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