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quarta-feira, julho 17, 2024
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Cultivo em estufas: cultivares de tomates mais indicadas

Fernanda Lourenço Dipple
Engenheira agrônoma, mestre em Ambiente e Sistemas de Produção Agrícola e professora assistente na Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT)
fernanda.dipple@gmail.com
Claudia Aparecida de Lima Toledo
Engenheira agrônoma e doutoranda em Agronomia/Proteção de Plantas – FCA/UNESP
claudia.lima.toledo@gmail.com
Franciely da Silva Ponce
Engenheira agrônoma e doutora em Agronomia/Horticultura – FCA/UNESP
francielyponce@gmail.com

Crédito: Tropical Estufas

O tomate é o queridinho das hortaliças na mesa dos brasileiros. Para este ano, existe uma projeção de produção de aproximadamente de 3,6 milhões de toneladas, com um aumento de 2,1% em relação à safra passada. A área plantada e a ser colhida pode apresentar crescimento de 2,7%, conforme o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), do IBGE.

A região sudeste é a maior produtora de tomate, seguida da região centro-oeste, que é grande produtora de tomate indústria. Os Estados de Goiás, São Paulo e Minas Gerais são os principais produtores.

Goiás corresponde a 27,5% da produção brasileira, porém, estes valores são destinados à produção do fruto para indústrias de processamento de molhos e extratos. Contudo, para o mercado de frutos in natura, corresponde, em média, a 70% da produção, e vem sofrendo grandes avanços e transformações tecnológicas.

Oferta x demanda

Neste início do ano, pelas condições desfavoráveis de produção e baixa quantidade de tomate no mercado os preços comercializados tiveram alta. O tomate de mesa ficou cerca de 30% mais caro.

As altas dos preços foram impulsionadas principalmente pela elevação de preços dos adubos e inseticidas, sendo de extrema importância investir em tecnologia para reduzir os riscos da cultura.

Estima-se que os custos de produção de 1,0 hectare de tomate ultrapassem R$ 100.000,00, ponto importante para o produtor avaliar e investir em ambientes protegidos visando aumentar a qualidade e produtividade do produto, principalmente em épocas desfavoráveis ao cultivo.

Tomate em estufas

O cultivo do tomateiro em ambiente protegido possibilita diversos benefícios ao produtor, auxilia no desenvolvimento da planta de tomateiro, reduz os problemas com excessos de chuva e perdas com ataque de pragas e as doenças.

Além disso, possibilita o cultivo em épocas chuvosas, pois o tomateiro não tolera molhamento foliar. Com isso, há uma redução na incidência de doenças, principalmente as foliares.

Crédito: Franciely Ponce

No Brasil, a tomaticultura é caracterizada principalmente pelo cultivo de frutos em campo aberto, porém, algumas regiões e em alguns períodos (chuvoso) o cultivo de tomate em estufas pode ser a única alternativa para a produção de tomate.

Apesar da maior parte do cultivo de tomate ser realizado em campo aberto, a produção de tomate em estufas plásticas ou de vidro tem sido cada vez mais importante no suprimento de frutos frescos e de boa qualidade.

Diferente dos cultivos por curtos períodos a campo, a produção de tomate em estufa pode ser mantida por um longo tempo. Alguns híbridos podem ser conduzidos por mais de 10 meses, lógico que isso está correlacionado ao tipo de estufa, híbrido ou cultivar, manejo, etc.

Inicialmente, as estufas eram uma alternativa para a produção de tomate, principalmente para manejo em ambientes em épocas chuvosas. Atualmente, a utilização destes ambientes possibilita uma maior produtividade e qualidade dos frutos.

Além disso, permite a maior oferta de tomate em períodos críticos, em que o valor de comercialização do produto é maior e leva maior rentabilidade ao produtor. Conforme valores do índice sazonal de preços dos CEASAS durante o ano, percebe-se valor pago superior nos períodos de chuva, resultado da baixa oferta de tomate no mercado.

Outro ponto importante são as indicações de estufas, que variam conforme os objetivos dos produtores, o orçamento e nível de tecnificação. Praticamente todos os modelos de estufas são adequados e promovem transformações ambientais favoráveis ao tomateiro, desde que proporcionem boa ventilação, proteção às chuvas e luminosidade adequada.

Tomates indicados

A maioria das cultivares/híbridos de tomateiro são adequadas para o cultivo em casa de vegetação, sendo interessante adequar o ambiente protegido para que não haja hiperaquecimento e que a estrutura esteja adequada para o cultivo do tomateiro.

No mercado encontra-se uma infinidade de materiais para o mercado mesa, alguns deles litados a seguir (Tabela 1).

Evolução genética

Com o desenvolvimento de tecnologias de produção, os tomateiros também sofreram alterações e melhoramentos. A cada ano são lançados no mercado cultivares e híbridos com diversas características desejáveis, como tipo de fruto (salada, caqui, italiano, saladete, cereja), teto produtivo (peso médio de fruto), resistência e tolerância a doenças, nematoides, adaptação às condições de solo, umidade e rusticidade.

Estes são os primeiros aspectos que o produtor deve se atentar na escolha do tomateiro para cultivar. Um exemplo é o valor agregado do fruto tipo Italiano em algumas regiões, durabilidade dos frutos após a colheita, e/ou produtividades elevadas de algumas plantas.

Apesar de diversas opções no mercado brasileiro, o produtor sempre deve comprar sementes de qualidade, com tecnologia envolvida e que atenda a sua necessidade.

Anote aí!

Na escolha do tomateiro para estufas e ambientes protegidos, deve-se atentar também ao hábito de crescimento (indeterminado, determinado ou semideterminado), pois estas características afetam a necessidade de mão de obra, insumos e durabilidade do ciclo produtivo.

No caso dos tomates determinados, há uma redução no uso de mão de obra. Por não ser necessário o tutoramento e a desbrota, há ainda uma redução na necessidade de agrotóxicos.

Os híbridos de tomateiro estão sendo os mais utilizados, por possuírem mais homogeneidade de colheita, resistência às doenças, altas produtividades, durabilidade e qualidade de pós-colheita, sem perder o sabor equilibrado de sólidos solúveis, acidez e carotenoides.

Cuidados

Crédito: Franciely Ponce

Quanto maior a produtividade, maiores as necessidades nutricionais do tomateiro. Este é um fruto rico em nutrientes, dentre eles vitaminas, minerais e muitos carotenoides, como o licopeno, importante antioxidante que atua na saúde humana.

Esta cultura também é exigente em micronutrientes, os quais devem estar disponíveis conforme a curva de exploração da cultura e fases de desenvolvimento, sendo necessário um controle rígido da adubação via solo e foliar, a fim de evitar distúrbios fisiológicos devido à deficiência.

Uma alternativa a ser utilizada é a fertirrigação, por dois motivos principais:

• Proporcionar irrigação de forma localizada, sem molhamento foliar, reduzindo, portanto, a ocorrência de doenças foliares;

• Possibilitar a disponibilidade de nutrientes de forma localizada, facilitando o aproveitamento da planta e reduzindo a necessidade de mão de obra.

O cultivo de plantas de tomateiro em vaso auxilia na redução dos problemas relacionados à salinização do solo, deficiência nutricional, além de driblar as doenças de solo. Melhora a eficiência hídrica, nutricional e reduz os problemas com microrganismos e doenças.

Além de todas as vantagens descritas, o ambiente protegido ainda auxilia na redução da infestação dos insetos-praga, pois a tela lateral funciona como barreira física, barrando parte dos insetos.

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Custo-benefício

O cultivo em ambiente protegido requer um elevado investimento inicial, sendo os custos com ambiente protegido variáveis conforme o tipo de estufa escolhida.

Atualmente, os custos com a implantação de uma estufa de 7,0 x 21 m e pé direito maior que 3,0 m é de um pouco mais de R$ 15.000,00. A vida útil deste tipo de ambiente é estimada em 15 anos para a estrutura e de três anos para a cobertura plástica.

Importante destacar que o cultivo de tomate é altamente rentável, sendo capaz de proporcionar um índice de lucratividade elevado, pagando-se o investimento inicial em um ano de cultivo.

Além disso, há ainda a possibilidade de se utilizar ambientes mais rústicos, como estufas do tipo Londrina, as quais apresentam custo de implantação menor, reduzindo o investimento inicial.

Por outro lado, o cultivo de tomate em épocas desfavoráveis só é possível em ambiente protegido. Além disso, no período de entressafra o valor pago pelo produto é maior e, consequentemente, o lucro do produtor também.

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