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quinta-feira, abril 18, 2024
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Fosfito é arma poderosa para o milho

Foto: Shutterstock

Wesley Devair Bittencourt Machini
Engenheiro Agrônomo e consultor – AgroBR Consultoria Agrícola
wdevair@hotmail.com

Resultados de pesquisas comprovam que a aplicação foliar de fosfito em milho reduz a severidade das doenças mancha de cercóspora, mancha branca, helmintosporiose comum e ferrugens. Além disso, o fosfito de potássio proporciona incremento de produtividade no milho variando entre 6,5 e 7% em relação à testemunha, devido ao controle das doenças foliares.

O fósforo (P) é um macronutriente que frequentemente limita a produção em solos cultivados, e por isso necessita de maior atenção na produção agrícola onde há a limitação desse elemento.

A adubação fosfatada é uma prática imprescindível para promover maiores índices de produtividade. Quando o adubo fosfatado é aplicado ao solo, após a dissolução quase todo o P é retido pelos coloides presentes na fase sólida e formam compostos pouco solúveis. Porém, grande parte do P retido é aproveitado pelas plantas, mas a recuperação depende da espécie cultivada.

Os fosfitos aparecem no mercado como uma grande inovação, pois possuem em sua composição fósforo, elemento essencial para o desenvolvimento e crescimento das plantas, absorvido na forma química H2PO4, sendo o fosfato (PO4) uma exclusiva fonte de fósforo para as plantas.

O fosfito é absorvido rapidamente pelas plantas através de suas estruturas radiculares, com grande mobilidade na fisiologia da planta, atingindo rapidamente os locais que apresentam sintomas de deficiência deste nutriente.

Os fosfitos podem ser utilizados em todas as culturas que apresentam resultados expressivos com a aplicação do fósforo, uma vez que este nutriente é de extrema necessidade para a síntese de ácidos nucleicos.

Ação fitossanitária

O fosfito se torna uma fonte de combate aos fungos, devido à sua ação fungistática, conseguindo retardar o desenvolvimento no crescimento micelial e atrasar a formação de colônias.

Consegue diminuir a incidência destes patógenos, retardando o seu desenvolvimento. Há alguns estudos que mostram que as características ácidas dos fosfitos conseguem interferir no desenvolvimento de diversos agentes patogênicos.

Há diversas linhas de pesquisas em grãos, olerícolas, frutíferas, plantas ornamentais, entre outras, que mostram a atuação dos fosfitos no controle de diversos patógenos causados por fungos, reduzindo a severidade de ataques por manchas foliares, ferrugens, tombamento de plantas, murchas vasculares, entre outros.

Ação contra doenças foliares

A utilização do fosfito na lavoura promove a interação dos nutrientes com a planta, o que amplia a velocidade de recuperação da planta devido a algum estresse sofrido ou a algum momento em que a planta mais precise deste nutriente.

Na utilização do fosfito a planta consegue obter a capacidade estimulativa de produzir fitoalexinas. Estas são sintetizadas nas inclusões citoplasmáticas que ficam localizadas próximas ao local de penetração do patógeno.

A ação defensiva por fungos acontece por uma desorganização celular, rompendo a membrana plasmática e inibindo as enzimas fúngicas. Devido a esses efeitos, o patógeno tem sua germinação inibida, a elongação do tubo germinativo impedido e o crescimento micelial dificultado.

As fitolexinas são compostas por antimicrobianos de massa molecular baixa, sintetizada e acumulada nas plantas após estresses químico, físico ou biológico. Assim, são capazes de impedir ou reduzir a atuação de agentes patogênicos.

Lembrando que uma planta bem nutrida possui menor chance de ser atacada por diversos patógenos e oferece maior resistência.

Mais produtividade

Os fosfitos foram introduzidos no mercado de fertilizantes na década de 70. E vieram ganhando espaço cada vez maior nos últimos anos, porque algumas características, como a capacidade de fornecer rapidamente nutrientes às plantas, foram destacadas, assim como sua eficiência no controle de várias doenças causadas por patógenos.

Acredita-se que tais efeitos sejam devido à sua alta concentração de potássio, pois adubações via foliares ricas neste nutriente reduzem a severidade de muitas doenças.

A produtividade da lavoura aumenta expressivamente quando a planta está bem nutrida, podendo demonstrar em nível de campo toda sua capacidade genética, com frutos de maior peso e densidade. O aumento pode chegar à ordem de 20% ou mais, pois, além de amplificar os resultados, os fosfitos conseguem proteger as plantas de ataques patogênicos.

Os ganhos em produtividade são de rápida apreciação, pois com a utilização do fosfito de potássio poderá ajudar no enchimento de grãos, fortalecimento dos frutos, melhora geral no aspecto fisiológico da planta. Pois, se ocorrer à deficiência nutricional, principalmente de potássio, a qualidade do produto comercial será seriamente afetada.

No campo

O bom enchimento de grãos é extremamente necessário, pois é neste momento que o produtor descobre se o cuidado que deu à sua cultura foi correto ou não, uma vez que a planta vai expressar nos grãos se houve algum problema enquanto ainda estava em outras fases de produção.

É muito difícil o produtor colher bons frutos se não acompanhar corretamente o seu estande desde o dia em que foi comprada a semente até o momento de realizar a colheita.

Quando a fase de colheita chega, o que mais se espera é uma boa produtividade para conseguir saldar as contas do plantio e gerar uma boa renda para posteriores aplicações e investimento na propriedade.

Com isso, é extremamente necessário que o produtor consiga que sua produtividade seja sempre elevada, uma vez que a produção em uma mesma área pode ser amplificada colhendo bons grãos, evitando a formação de grãos chochos, sem qualidade e, principalmente, com baixa densidade de matéria seca.

Realidade no milho

O principal erro que pode ser cometido pelo produtor nas aplicações de fosfitos em suas lavouras é acreditar que são defensivos agrícolas, quando na verdade têm a propriedade de alimentar e nutrir a planta.

Níveis de fósforo adequados no solo são os maiores limitadores na produção de qualquer cultura, principalmente do milho que, com disponibilidade suficiente a ponto de garantir que o solo o libere para a planta de forma limpa e contínua pelo fluxo de absorções nutricionais adequadas.

Evitar aplicar o produto em horários errados ou em condições climáticas adversas, pois um produto que normalmente é aplicado via foliar tem que ser absorvido pela planta. Esse mecanismo de entrada garante uma velocidade muito maior do que quando aplicado via solo.

Manejo

A dosagem recomendada do fosfito depende bastante da cultura, do estádio fenológico em que ela se encontra e de acordo com indicação do fabricante, devido à qualidade de reação das fontes nutricionais que compõem cada produto.

Porém, alguns fabricantes recomendam uma dosagem que varia entre 150 a 350 mL/100 L de água, ou 0,60 a 2,00 L/ha, utilizando entre três a cinco aplicações, sendo a primeira antes do florescimento e as seguintes com intervalos de 45 a 60 dias.

Anote aí:

  • Como usar: 15 dias antes da floração e 15 dias após, utilizando 0,4 L/ha, via foliar tratorizado, costal ou aéreo. Recomendam-se duas a três aplicações anuais, 0,5 a 1,0 L/100 L de água, aplicação via foliar tratorização, costal ou aéreo.
  • Custo-benefício: extremamente favorável ao produtor. Podem custar entre R$ 70,00 a R$ 120,00. Existem embalagens maiores que podem reduzir o custo inicial do produto. É um investimento baixo, com grande eficiência, pois ao nutrir a lavoura o produtor estará realizando um controle preventivo contra diversos patógenos.
  • Vantagens: promover a floração e ajudar na formação e fortalecimento dos frutos, devido à ação do potássio presente. Promove o fortalecimento da lavoura durante todo ano, evitando deficiências nutricionais.

É bom saber

A quantidade a ser aplicada deve ser obtida pelo resultado da análise de solo ou foliar, realizada por um profissional qualificado.

O produto possui um excelente custo-benefício, quando aplicado após algum estresse sofrido pela planta, quando se faz necessária a rápida recuperação da lavoura. Porém, o custo-benefício não é muito eficaz quando o produtor tenta substituir a adubação tradicional apenas por estes nutrientes, que não possuem ação residual e a aplicação tem que ser quase constante, aumentando os custos da lavoura.

Porém, o produtor deve ter a convicção de que a utilização do foliar tem o intuito de nutrir a planta que sofreu algum estresse e necessita de uma rápida recuperação. A aplicação de produtos misturados pode reduzir os gastos com o maquinário e funcionários devido à redução do tempo de aplicação, porém, se forem utilizados produtos com incompatibilidade, poderá acarretar erros e, ao invés de somar o efeito dos produtos aplicados juntos, poderá gerar uma reação antagônica e neutralizar os efeitos iniciais.

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