Maior número de plântulas do feijoeiro

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Os extratos de algas Ascophyllum nodosum atuam no metabolismo das plantas, preparando essas plantas para passarem por situações de estresse e tornando-as mais resistentes.

Éder Jr de Oliveira ZamparEngenheiro agrônomo e mestrando em Solos e Nutrição de Plantas – Universidade Estadual de Maringá (UEM)eder_zampar@hotmail.com

Priscila Angelotti ZamparEngenheira agrônoma e doutoranda em Proteção de Plantas – UEM

Eunápio José Oliveira CostaEngenheiro agrônomo e mestre em Solos e Nutrição de Plantas – UEM

Carolina Fedrigo ConeglianEngenheira agrônoma e doutoranda em Solos e Nutrição de Plantas – UEM

Feijão – Créditos: shurtterstock

O feijão é uma das principais culturas produzidas e consumidas no Brasil e no mundo e a sua importância vai além do aspecto econômico, devido a sua relevância como fator de segurança alimentar e nutricional, uma vez que serve de alimento principalmente entre as camadas sociais menos favorecidas, ressaltando-se o seu papel de destaque na cultura e na culinária de inúmeros países, sendo considerado um dos pilares da dieta brasileira.

De acordo com dados da Companhia Nacional de Abastecimento – CONAB (2018), na safra 2018 a produção agrícola nacional atingiu cerca de 3,39 milhões de toneladas, com uma produtividade média de 1047 kg ha¹, abrangendo as três safras anuais.

Essa produtividade é considerada baixa pois, pelo avanço tecnológico e genético das cultivares, elas têm capacidade produtiva acima de 3.000 kg ha¹. Como o feijão é uma das principais fontes de alimento do País, ele é produzido por agricultores de diferentes perfis e níveis tecnológicos, desde produtores que produzem para consumo e venda na própria cidade até aqueles altamente tecnificados, com altas médias produtivas, e por isso a média se torna tão baixa.

Potencial produtivo

Existem vários fatores que contribuem para que o potencial produtivo do feijão seja expresso, entre eles: a densidade de plantas, o meio de cultivo, o manejo da cultura e os insumos utilizados.

Com o intuito de se elevar os níveis de produtividade do feijão, novas tecnologias vêm sendo desenvolvidas e testadas  por  pesquisadores,  técnicos  e  agricultores.  A  utilização  de  bioestimulantes  e extratos de algas que visam aumentar o potencial produtivo das plantas é uma prática crescente na agricultura moderna para diversas culturas e amplamente difundida em produtores mais tecnificados.

Nutrição do feijoeiro

A nutrição mineral é importante para o controle dos processos bioquímicos e fisiológicos das plantas, sendo que a deficiência dos nutrientes pode levar a alterações indesejáveis nesses processos, com prejuízos ao crescimento e à produtividade das plantas.

A exigência nutricional das culturas, em geral, torna-se mais intensa com o início da fase reprodutiva, sendo que essa maior exigência se deve ao fato de os nutrientes serem essenciais à formação e ao desenvolvimento de novos órgãos de reserva.

Com avanços em pesquisa na nutrição de plantas e na fertilidade dos solos, a ideia de manejo equilibrado de nutrientes, fornecimento de micronutrientes que por muitos anos foi negligenciado e construção de perfil de solo, as culturas têm conseguido expressar melhor o seu potencial genético e, em muitos casos, alcançar altos tetos produtivos, além do sistema de plantio direto e rotação de culturas, melhorando tanto a qualidade química como física dos solos.

Estresse vegetal

O fator que mais preocupa a agricultura atual é o clima, pois na maioria das áreas ele se torna o principal limitante para que as plantas expressem o máximo potencial produtivo. Os problemas climáticos no ciclo da cultura recebem o nome de estresses abióticos, que estão relacionados a fatores que o homem não consegue contornar, relacionados a intempéries climáticas.

Os estresses bióticos seriam aqueles que o homem ainda consegue controlar, como insetos-praga, fungos, bactérias, vírus e nematoides.

O conceito de estresse pode ser definido, de maneira simples, como qualquer fator externo que exerce influência desvantajosa sobre a planta, induzindo mudanças e respostas a todos os níveis.

Normalmente, visando diminuir os efeitos desses estresses os agricultores tentam manejar a cultura com aplicações foliares de forma preventiva, visando a manutenção da atividade metabólica e prevenção de estresse.

Buscando mitigar os estresses tanto climáticos como falta de água, estresse salino ou até mesmo algum tipo de fitotoxidez na cultura, a utilização de extrato de algas tem sido uma boa solução para esses problemas.

Extrato de algas

Com a finalidade de melhorar o desempenho das culturas, a utilização de extratos de algas tem sido muito difundida, pelo fato de ser uma alternativa ao uso de fertilizantes e por ser ecologicamente correta. No passado, as algas eram utilizadas para recobrir o solo nos cultivos, pois já se notava o seu benefício em relação ao crescimento e desenvolvimento das culturas.

De forma geral, extratos de algas marinhas são fontes de vitaminas, glicoproteínas, aminoácidos (alanina, ácido aspártico e glutâmico, glicina, isoleucina, leucina, lisina, metionina, fenilalanina, prolina, tirosina, triptofano e valina) e de estimulantes naturais, tais como auxinas (hormônios do crescimento que governam a divisão celular), giberelina (que induz floração e alongamento celular), citocininas (hormônio da juventude e do retardamento da senescência) e betaínas (que aumentam a resistência aos diversos fatores de estresse).

Seus compostos podem melhorar o desempenho vegetal por intermédio de alterações fisiológicas, bioquímicas e da expressão de genes nas plantas. Esses biofertilizantes resultam em efeitos positivos na maioria das características fisiológicas das plantas, onde os principais resultados de seu uso têm sido observados no incremento da massa seca e crescimento das raízes (Losi & Bôas, 2010).

Na classificação e registro no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, esses compostos à base de algas e aminoácidos são classificados como “aditivos/agentes complexantes para fertilizantes minerais e organominerais”, ou ainda podendo ser designados como “biofertilizantes”.

No entanto, Castro & Vieira (2001) sugerem que a mistura de dois ou mais reguladores vegetais ou de reguladores vegetais com outras substâncias minerais denomina-se bioestimulante ou estimulante vegetal (WALLY et al., 2013).

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