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Rabanetes rosados, brancos e arroxeados: nicho de mercado

Crédito: Frepik

Alasse Oliveira da Silva
Engenheiro agrônomo e mestrando em Fitotecnia – ESALQ/USP
alasse.oliveira77@usp.br
Liliane Marques de Sousa
Engenheira agrônoma e mestranda em Fitotecnia – Universidade Federal de Viçosa (UFV)
liliane.engenheira007@gmail.com
Walleska Silva Torsian
Engenheira agrônoma e doutoranda em Fitotecnia – ESALQ/USP
walleskatorsian@usp.br

O rabanete (Raphanus sativus L.) tem grande importância para o mercado consumidor brasileiro devido a sua versatilidade e praticidade. Essa hortaliça é produzida principalmente na região sul e sudeste do Brasil, que juntas somam mais de 80% da produção nacional.

A produção está entre 9 e 15 mil toneladas, com variação anual em função das condições climáticas e manejo produtivo.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o rabanete é mais cultivado nos estados da região sudeste do Brasil, sendo São Paulo o maior produtor.

Devido ao seu pequeno ciclo produtivo e a sua adaptabilidade às diferentes condições edafoclimáticas, o rabanete pode ser produzido e comercializado durante o ano inteiro nas diferentes regiões do Brasil.

Características

O rabanete é considerado uma cultura de ciclo curto, o que torna uma interessante opção de plantio para o produtor, porque além do ciclo curto, o rabanete consegue germinar entre temperaturas de 20 a 30 °C. A cultura é exigente em água e a melhor produtividade se dá em solos leves e areno-argilosos. Com a semeadura podendo ser realizada o ano todo, o rabanete ainda oferece vantagem de ser cultivado consorciado com hortaliças de ciclo mais longo, como por exemplo, o repolho e couve-flor.

A cultura também é dividida em fase vegetativa e reprodutiva, sendo que a primeira fase é quando ocorre a emissão das folhas em roseta e a formação da raiz tuberosa, e na fase reprodutiva ocorre o pendoamento, o florescimento e a frutificação.

O sistema radicular é do tipo pivotante, que pode se desenvolver até 1,20 m de profundidade. Existem alguns tipos de raízes tuberosas que podem ser alongadas, ovais ou redondas, nas cores vermelha, rosa, amarela ou branca, variando o tamanho e o paladar.

O tamanho do rabanete depende de vários fatores, como época de plantio, fertilidade do solo, tratos culturais, condições climáticas, entre outros.

Clima

Devido ao rabanete ser uma cultura de ciclo curto, o clima é que mais interfere no desenvolvimento e produtividade, afetando diretamente a germinação, que irá influenciar na duração do ciclo e na qualidade do produto final.

As condições de temperatura para a germinação das sementes são de 20 a 30ºC, sendo que temperaturas abaixo de 15°C e acima de 35°C afetam a porcentagem de germinação, causando má formação da planta e reduzindo a produtividade da cultura.

Crédito: Frepik

Irrigação

A irrigação do rabanete é essencial e indispensável, pois irregularidades no fornecimento de água causam a rachadura da raiz tuberosa, tornando inviável a comercialização. Se a falta de água coincidir com as altas temperaturas, ocorrerá um estímulo ao pendoamento precoce.

Solo

O solo para cultivo deve ser rico em matéria orgânica e leve para o desenvolvimento das raízes tuberosas. Solos pesados e argilosos dificultam o desenvolvimento das raízes, tornando-o pouco atrativo para a comercialização e diminuindo o valor da comercialização.

O preparo do solo não necessita de canteiros muito largos, sendo o ideal entre 1,0 e 1,2 m. A construção dos canteiros deve ser realizada de modo que evite o encharcamento do solo e facilite o escoamento da água.

Adubação

É sempre recomendada a análise de solo antes de realizar a adubação de plantio e cobertura. No geral, para solos de média fertilidade é recomendada a aplicação por metro quadrado de esterco bovino, superfosfato simples, cloreto de potássio, sulfato de amônio e bórax de respectivamente 5.000, 200, 15, 60 e 0,5.

O espaçamento utilizado para o plantio de rabanete é de 0,15 a 0,20 m x 0,08 a 0,10 m. A aplicação da calagem é feita para elevar a saturação de bases a 80%, lembrando sempre de observar os resultados da análise de solo e procurar orientação de um engenheiro agrônomo.

Plantio

Para o semeio do rabanete, são necessárias sementes de boa qualidade e procedência, por isso, no mercado existem empresas que comercializam sementes certificadas e de qualidade.

Um grama de sementes possui, em média, 120 sementes. Para o plantio de um hectare são necessárias 20 kg de sementes. Altas densidades de sementes produzem raízes de tamanhos menores, inviabilizando a comercialização.

A profundidade de semeadura é de 1,3 cm. Alguns produtores utilizam a cobertura “morta”, que evita a rápida evaporação de água.

Tratos culturais e fitossanitários

O desbaste é recomendado quando as plantas estiverem com 5,0 cm de altura, deixando uma planta a cada 5,0 a 10 cm na fileira. É importante evitar a concorrência com plantas daninhas, realizando sempre o desbaste, quando necessário.

Devido ao ciclo rápido, poucos são os registros com pragas. Geralmente ocorre o ataque do pulgão da couve (Brevicoryne brassicae), lagarta-de-folhas (Rachiplusia sp) e a vaquinha verde e amarela (Diabrotica speciosa).

As doenças que podem atingir o rabanete são o damping-off (Rhizoctonia solani), míldio (Peronospora parasítica) e hérnia das crucíferas (Plasmodiophora brassicae). Geralmente, ocorrem com altas temperaturas, provocando ressecamento das plantas novas e menor tamanho das raízes tuberosas.

Para evitar problemas com pragas e doenças, é recomendado: procurar locais livres de inóculos no solo, deve ser removida e destruída toda a matéria orgânica, evitar água de irrigação suja, utilizar sementes de boa procedência e, se possível, tratadas.

Colheita e pós-colheita

Crédito: Frepik

A colheita do rabanete ocorre entre o 20° e 25° dia após a semeadura, durando até 10 dias. Caso ultrapasse o período adequado de colheita, as raízes começam a ficar duras e esponjosas, apresentando rachaduras e perdendo o sabor, o que torna inviável a comercialização.

Quanto maior a raiz tuberosa, maior será a possibilidade de ser esponjosa. A colheita é realizada de forma manual, e a produtividade anual está em aproximadamente 20 mil maços por hectare.

Na pós-colheita é realizada a lavagem da planta inteira e a preparação dos maços ou então o corte das folhas e a preparação das raízes tuberosas, que após essa etapa podem ser acondicionados em câmaras frias para conservar a qualidade do rabanete para serem comercializados futuramente.

Por essas e outras razões, existe uma elevada demanda nos centros urbanos, restaurantes especializados e grandes supermercados da região sudeste e sul e, também, em outros lugares do Brasil. Além disso, os avanços do melhoramento genético para essa espécie têm agregado valor de mercado e criado novos nichos de produção para a cultura.

Genética

Não diferente das outras culturas, o melhoramento genético tem sido uma ferramenta de grande importância para o desenvolvimento de cultivares precoces, crescimento vegetativo, de raízes arredondadas, de coloração interna e externa uniforme, adaptadas a diferentes condições edafoclimáticas e resistentes às principais doenças da cultura.

Da mesma forma, pesquisas têm sido realizadas visando aumentar a qualidade nutricional dessa raiz tuberosa, bem como reduzir problemas de distúrbios fisiológicos ou nutricional que atacam a cultura, a exemplo da isoporização e rachaduras das raízes.

A utilização de cultivares híbridas possibilita ao produtor obter maiores produtividades em campo, assim como aumento de raízes tuberosas de qualidade, maior tolerância a estresses abióticos, principalmente mudanças da umidade relativa do ar e temperatura do solo.

Variabilidade

Essa raiz tuberosa apresenta forma, tamanho e cor variáveis com a cultivar. No entanto, as cultivares de mesa geralmente apresentam raízes arredondadas, casca vermelho-arroxeada e interior branco ou rosado.

A cor varia do branco, rosa, vermelho, roxo, amarelo ou até mesmo preto. Planta de ciclo curto, constitui-se em uma boa alternativa para os produtores pelo retorno financeiro em curto prazo, além de uma boa opção na rotação de culturas e até no controle de fitonematoides.

Rabanetes coloridos

O rabanete rosado tem uma raiz tuberosa de aspecto branco no seu interior e rosado no exterior, caracterizada pela parte vegetativa da planta.

O rabanete arroxeado é uma variedade rara, tendo como característica marcante a sua coloração. Um dos pontos positivos do rabanete roxo é que ele apresenta grande concentração de isotiocianato – um importante antioxidante para o corpo, que inibe a ação oxidante dos radicais livres. Por isso, esse alimento ajuda a desintoxicar o organismo, a prevenir diferentes tipos de câncer e o envelhecimento precoce.

A polpa do rabanete é branca e ligeiramente picante, possuindo uma textura firme e crocante, sendo muito saborosa e de boa conservação após a colheita. Em comparação ao rabanete tradicional, que apresenta maior picância, o rabanete roxo de produção orgânica é menos picante, podendo ser usado em inúmeras receitas, além do consumo in natura, por exemplo. Quando cozido o sabor torna-se mais suave, quase adocicado.

Além disso, o rabanete de cor arroxeada possui antocianinas em sua composição, que são poderosos agentes antioxidantes, combatendo radicais livres, assim como apresentam efeitos anti-inflamatórios no organismo.

O rabanete de tonalidade branca, chamado popularmente de rabanete ping pong, possui sabor mais adocicado. São suculentos, de boa crocância e muito suave, ao contrário dos outros, que normalmente são picantes, apresentam casca e polpa branca.

Produtividade e custo de produção

A produtividade da cultura é variável, visto que depende de inúmeros fatores, como nível tecnológico da propriedade, edafoclimáticos, por exemplo, da cultivar usada e de manejos de adubação, controle de plantas daninhas, irrigação, entre outros, podendo variar de 15 a 90 t ha-1.

Para a implantação da cultura, o investimento é relativamente baixo, estando relacionado às práticas de calagem, adubação de plantio, compra de sementes e mão de obra para execução das atividades de campo.

No entanto, o fato de ser uma cultura de ciclo comercial curto, demanda menos mão de obra e insumos, reduzindo os custos de produção.

Grande parte da produção (aproximadamente 73,68%) é feita em pequenas propriedades rurais com até 20 ha, sendo as médias e grandes propriedades responsáveis por 24,71% e 1,68% da produção, respectivamente. A produtividade varia de 15 a 30 toneladas por hectare, representando de 16.000 a 20.000 maços por hectare.

Rentabilidade

O rabanete, apesar da baixa expressão no cenário econômico nacional de hortaliças, pode ser uma alternativa de alta rentabilidade ao agricultor, visto que quando esta cultura é bem manejada, pode ser colhida aos 25 dias após o plantio, resultando em um rápido retorno do capital investido pelo produtor.

Por ser uma cultura de ciclo curto e alta rusticidade, o rabanete vem, aos poucos, ganhando destaque no cenário nacional, com tendência a aumentar gradativamente as áreas plantadas nos próximos anos.

Além do mais, o valor do quilo em épocas mais frias varia de R$ 2,00 a R$ 3,00, e nas épocas mais quentes, de menor oferta, esse valor pode até dobrar.

Em função de suas características agronômicas, o retorno da atividade é de curto prazo, uma vez que essa hortaliça apresenta bons preços de mercado o ano inteiro. A cultura do rabanete anualmente movimenta cerca de R$ 18 milhões.

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