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Variedades de abacate: quais as preferidas pelo mercado externo?

Crédito: Depositphotos

Evaldo Tadeu de Melo
Doutor em Fruticultura/Fitotecnia e sócio da Guatambu Agrossustentável
evaldotadeumelo@hotmail.com

O abacateiro Persea americana pertence à família Lauraceae, possuindo três centros de origem: Antilhas, Guatemala e México.

  • Raça Antilhana (Persea americana, variedade americana): são os abacates conhecidos como “manteiga”. São originários das regiões baixas e tropicais da América Central e da América do Sul. Os frutos são grandes, de formato piriforme, com baixo conteúdo de óleo, abaixo de 8% e não tolera frio.
  • Raça Guatemalense (Persea americana, variedade guatemalensis): é originária das regiões altas da América Central. A maturação dos frutos é mais tardia. Possui conteúdo de óleo intermediário, variando entre 8 e 20% e apresenta média resistência ao frio.
  • Raça Mexicana (Persea americana, variedade drymifolia): é nativa das regiões elevadas do México e da Cordilheira dos Andes. Os frutos são pequenos, possuem alto teor de óleo, acima de 20%. É a raça mais resistente ao frio, suportando até -6ºC. Uma característica marcante desta raça é o aroma de anis nas folhas, quando maceradas.

Essas raças cruzam entre si, existindo no mundo todo mais de 500 variedades e híbridos entre as três raças de abacateiros, o que explica as diferenças na forma, tamanho, cor, épocas de maturação e adaptabilidade a diversos locais e altitudes de plantio.

Características do cultivo

Embora suas flores sejam hermafroditas, ou seja, completas, o abacateiro tem um processo de floração que dificulta a autopolinização. Este fenômeno é conhecido por dicogamia protogínica. A abertura da parte feminina da flor (estigma receptivo) é sempre anterior à abertura da parte masculina da flor (anteras abertas).

As variedades se dividem em dois grupos, quanto ao seu comportamento floral, (A) e (B). Nas variedades do grupo (A), as flores se abrem pela manhã, na fase feminina, e por volta do meio-dia as flores fecham e só voltam a abrir no dia seguinte, aproximadamente na mesma hora, com as anteras abertas.

Nas variedades do grupo (B), as flores abrem durante a tarde, com o estigma receptivo e ao entardecer as flores se fecham, voltando a abrir na manhã seguinte com as anteras abertas.

Entretanto, essa característica é afetada pelo clima, especialmente altas temperaturas, que tendem a desregular a abertura floral, sendo possível em algumas regiões e variedades específicas a produção com o plantio de uma única variedade.

De forma geral, é necessário que existam duas variedades de grupos distintos próximas, para que ocorra uma boa polinização e, consequentemente, uma frutificação comercialmente viável.

Cultivares

No Brasil, as cultivares mais plantadas são:

Geada (B) possui fruto grande de casca lisa e formato piriforme. É o abacate mais precoce plantado no Brasil. Sua safra ocorre entre dezembro e fevereiro, e o fruto possui pouca gordura e muita água, por isso é considerado mais aguado, e quando entra a safra de outras variedades, em meados de fevereiro, o consumidor acaba rejeitando-o por essa característica.

Crédito: Depositphotos

Fortuna (A) produz frutos grandes, alcançando facilmente 1,0 kg cada fruto. Tem boa aceitação pelo consumidor brasileiro. Sua safra se estende desde fevereiro até agosto, dependendo da região de cultivo.

Quintal (B) possui frutos grandes, sendo facilmente diferenciado das demais variedades pelo seu formato com pescoço alongado, casca lisa e brilhante, o que chama muito a atenção do consumidor. Sua safra vai de fevereiro a julho, coincidindo com a safra do Fortuna.

Ouro Verde (A) possui casca verde escura e rugosa, sendo cultivado em menor escala. Sua safra é concentrada entre julho e agosto, época de grande oferta da fruta no mercado.

Breda (A) possui formato de gota e casca lisa, verde brilhante, sendo muito apreciado pelo consumidor do Sul e Sudeste brasileiro. Sua safra vai de julho a novembro, entretanto, quando a colheita é realizada muito tardiamente, ele apresenta bianuidade muito acentuada, produzindo ano sim, ano não.

Margarida (B) é facilmente diferenciado das demais variedades pelo seu formato redondo e casca rugosa. Apresenta caroço pequeno e um grande rendimento de polpa, sendo muito apreciado pelos consumidores do Nordeste brasileiro. Sua safra vai de maio a novembro e apresenta um bom pós-colheita.

Hass (A), também conhecido como avocado, possui casca rugosa e é o menor dos abacates cultivados por aqui. Sua safra é bem extensa, dependendo da região de plantio, indo de março até outubro. É a variedade mais cultivada em todo o mundo. Sua polpa é bem concentrada em lipídeos e sólidos solúveis, sendo consumido principalmente em pratos salgados. Além disso, é a principal variedade utilizada para extração de azeite, devido ao seu alto teor de lipídeos, que pode passar de 20%.

Demanda

Diferente de nós, brasileiros, que temos o hábito de consumidor, o abacate na forma de vitaminas com leite, ou a fruta com açúcar, podendo acrescentar limão, dependendo da preferência do consumidor, no restante do mundo o abacate é consumido em pratos salgados, como a famosa guacamole mexicana, dentre outros.

Sendo assim, a principal cultivar preferida pelo mercado externo é o Hass, e outras que apresentem características semelhantes, como: fruto pequeno, grande quantidade de lipídeos e matéria seca de 23%, aproximadamente.

No entanto, essa preferência pelo Hass, além de suas características já citadas, vem também de ser a única cultivar disponível em muitos mercados no exterior.

Os nossos abacates chamados de tropicais, poderiam perfeitamente passar a fazer parte da mesa do consumidor lá fora, se essa fruta lhes estivesse disponível e se fosse feito um bom programa de divulgação, explicando suas qualidades, como é feito com o Hass.

A variedade Margarida é um bom exemplo de variedade que poderia ser inserida nos pratos salgados, pois possui uma boa concentração de lipídeos, embora menor que o teor do Hass, possui um excelente pós-colheita, possibilitando sua exportação.

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