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Alerta: podridão-de-frutos pode destruir o pomar de abacate

Adriana Souza Nascimento
Engenheira agrônoma, extensionista rural e gerente de desenvolvimento agropecuário da Emater – DF
adriana.nascimento@emater.df.gov.br

Crédito: Bruno Henrique

O fungo Dothiorella gregaria Sacc., agente causal da podridão-dos-frutos e cancro no abacateiro, é de grande importância devido à morte dos ramos, ou ainda da árvore completa, assim como pela podridão pós-colheita dos frutos.

O cancro e a podridão-dos-frutos do abacateiro são doenças de ampla distribuição mundial, com registros de incidência na Austrália, Chile, Estados Unidos, Grécia e Índia. No Brasil, existe registro apenas no Estado de Minas Gerais.

Disseminação

A podridão pode disseminar-se através dos feixes vasculares para a base, ou seja, de forma descendente, atingindo o pedúnculo e ao redor de todo o fruto. Nas lesões em estado avançado de apodrecimento, um micélio cinza envolve o fruto, o que se diferencia dos sintomas causados pela antracnose, outra importante doença do abacateiro causada pelo fungo Colletotrichum gloeosporioides.

O cancro é uma doença também causada pelo mesmo agente causal da podridão dos frutos, o fungo Dothiorella gregaria Sacc., em que os ramos e troncos tornam-se fendilhados e soltam a “casca”, sendo observadas descoloração e necrose nos vasos, no local afetado, interrompendo o fluxo normal de seiva e resultando em seca de ramos, podendo, inclusive, causar a morte de toda a planta.

Sintomas

Na superfície dos frutos ainda verdes, sintomas aparecem inicialmente como pequenas pontuações de coloração marrom ou púrpura, que aumentam de tamanho, até envolver o fruto completamente.

O apodrecimento característico ocorre a partir do pedúnculo, avançando para todo o fruto, o que pode provocar a sua queda prematura. Quando o patógeno invade a polpa do abacate, ocasiona escurecimento de tonalidade marrom e liberação de odor desagradável.

Os cancros ocorrem principalmente nos ramos mais novos e ramos mais lenhosos e, excepcionalmente, no tronco em si. Nas partes afetadas, a casca fende-se, provocando rachaduras e produz um exsudado branco, os tecidos internos da casca e os feixes vasculares tornam-se marrons e a casca se separa com facilidade do tronco.

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Prejuízos

A doença pode causar a perda total das plantas, porém, os principais prejuízos estão na pós-colheita, podendo ocorrer perdas acima de 40% dos frutos, principalmente quando as podridões estão associadas com vários outros patógenos.

O Sudeste se destaca como principal região produtora, correspondendo a 83,2% da produção nacional, englobando os principais Estados produtores e também é a região mais afetada pela podridão de frutos, sendo Minas Gerais o Estado onde se tem registrado as maiores ocorrências. 

Condições ambientais favoráveis, como alta umidade e alto teor de matéria orgânica nos solos, plantas em desequilíbrio nutricional e as injúrias causadas nas plantas por insetos, geadas, podas, aberturas naturais, como as cicatrizes da abscisão das folhas, lenticelas, etc., são condições que favorecem o desenvolvimento da doença.

Crédito: Jonas Octávio

Controle preventivo e curativo

O controle inicia-se ainda no planejamento do plantio, com a escolha de locais com solos bem drenados e sem excesso de matéria orgânica, e adubações equilibradas do pomar, baseadas em análises de solos.

No controle preventivo deve-se realizar a eliminação de ramos secos ou com sintomas, eliminar também os frutos com podridões e até as plantas inteiras com sintomas típicos da doença.

No controle químico, recomenda-se a aplicação preventiva e regular de fungicidas cúpricos (óxido cuproso) desde a fase de viveiros, após operações de poda; proteção de ferimentos com pasta cúprica; aplicação curativa dos mesmos com fungicidas, fazer uma aplicação antes da florada e mais duas a três após a formação do fruto, repetindo com intervalos de 10 a 15 dias.

Também se recomenda a utilização de enxertia alta e de porta-enxertos mais resistentes e aplicação de fungicidas cúpricos na região de enxertia (as cultivares de origem mexicana usadas como porta-enxerto mostram-se mais resistentes a D. gregaria Sacc. do que as cultivares de origem guatemaltecas).

Inovações

Dentre os métodos de controle, a técnica da enxertia com a utilização de porta-enxertos mais resistentes é a que se tem aplicado em pomares com maior sucesso econômico e cultural.

Lembrando que não realizar vistorias frequentes no pomar para observação de sintomas ou sinais de doenças, não realizar análises de solo para suprimento nutricional adequado das plantas, não realizar manejo indicado das plantas, como podas de aeração e limpeza; e principalmente não realizar a retirada de ramos secos, folhas e frutos apodrecidos afetados pela doença das áreas de plantio, onde formam-se os conídios e/ou ascósporos, estruturas de reprodução (assexuada) dos fungos, tornam o inóculo primário responsável pelas infecções posteriores.

Esses erros podem ser evitandos realizando vistorias periódicas nos pomares e o manejo indicado da cultura para controle de pragas e doenças.

Cuidados

As doenças podem causar perdas significativas no rendimento da cultura do abacate, e até mesmo a perda total da cultura, tornando-se necessário o conhecimento das mesmas, e principalmente os meios de controle, para se obter um manejo adequado.

Portanto, a escolha de variedades bem adaptadas às condições de clima e solo, a aplicação correta do espaçamento e na densidade de plantio, a utilização de práticas de manejo e conservação da água e do solo, assim como o uso de mudas de boa qualidade e o plantio nas épocas mais adequadas sairão economicamente menos onerosas que o controle químico posterior e as perdas pós-colheita.

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