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Beauveria e Metarhizium: alta eficiência no controle do bicudo-do-abacateiro

Compartilhando conhecimento sobre os desafios enfrentados na produção de abacate no Brasil e as estratégias para enfrentar pragas como o bicudo-do-abacateiro

Foto: Shutterstock

Erick Adriano Cunha dos Santos
Engenheiro agrônomo – pela Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA)
Sinara de N. Santana Brito
Harleson Sidney Almeida Monteiro
harleson.sa.monteiro@unesp.br
Engenheiros agrônomos, e mestrandos em Agronomia/Horticultura – UNESP

Apesar de o Brasil possuir excelentes condições para a produção de abacate, a falta de manejos agronômicos adequados durante toda a cadeia produtiva tem feito com que o país não participe de forma mais efetiva no mercado mundial desta fruta.

Um dos desafios que a produção enfrenta é justamente o controle de pragas, especificamente das coleobrocas registradas, como é o caso insetos do gênero Heilus e Helipus (Coleoptera: Curculionidae), que vêm alarmando produtores na região, causando prejuízos diretos e indiretos, tal como perdas na qualidade do produto e quantidade produzida.

Alerta

Duas espécies se destacam, Heilus freyreissi e Heilipus catagraphus, ambas denominadas popularmente como bicudo-do-abacateiro. Uma ameaça quarentenária à produção, o Heilus freyreissi foi registrado nos últimos anos por Reis (2017), por meio de coletas de adultos em pomares de abacateiro, onde causaram injúrias dispersas em ramos, agregada nos frutos e atenuada no caule.

Tal variação da preferência foi relacionada com variedade, estádio fenológico da planta e estação do ano. Já a espécie com mais estudos é o Heilipus catagraphus, cujas fêmeas colocam os ovos nos ramos da planta, e na fase larval os insetos recém-eclodidos fazem galerias em troncos, raízes e frutos.

Podem ocasionar a morte de plantas jovens e danos aos frutos, e quando adultos se alimentam das folhas e frutos do abacateiro, que secam e se partem facilmente.

Identificação e controle

A importância da identificação é crucial para o controle adequado. Como o ataque ocorre em reboleiras, é importante identificar os talhões e locais de ataque dentro para aplicações localizadas no tronco.

Não existe produto químico registrado para essa praga no Brasil. Apesar de serem seletivos a determinada espécie de inseto, a ação entomopatogênica dos fungos B. bassiana e M. anisopliae, se inicia com o esporo aderindo à cutícula do inseto.

O esporo germina, dando formação ao apressório e ao grampo de penetração. Enzimas de degradação são formadas (principalmente lipases e proteinases), possibilitando o rompimento da cutícula do inseto e, consequentemente, a colonização do fungo sobre o hospedeiro.

Após a morte do inseto infectado, inicia-se a formação hifas, pelas quais o patógeno inicia outro ciclo de infecção.

Em estudo

Em relação às condições do controle com os fungos entomopatogênicos no manejo do bicudo-do-abacateiro, os estudos ainda são preâmbulos e por isso há necessidade de mais aplicações. Sabe-se que os insetos se distribuem no ambiente a favor da presença de alimento, condições favoráveis de temperatura e umidade, para abrigo e acasalamento.

Os trabalhos em si, envolvendo o manejo de aplicação, ainda estão em desenvolvimento, apesar de ter estudos de prevenção de danos e ecologia do inseto. Nesse sentido, Reis (2017), no seu estudo de análise temporal da distribuição espacial de curculionídeos no abacateiro, diz que a estação do ano, variedade e estádio fenológico da cultura são fatores que interferem no ataque de adultos e larvas de curculionídeos.

Na relação média dos totais de injúrias (frutos + caule + ramos), as estações mais afetadas foram a primavera e verão. De forma geral, o ataque em frutos possui um padrão de distribuição espacial agregado, ao passo que nos outros órgãos ele é mais bem distribuído pela área.

Controle biológico

Ainda que o controle biológico na cultura do abacate seja uma possibilidade, seu estudo ainda é incipiente quando se trata das coleobrocas do gênero Heilipus, por considerar as espécies dentro de cada grupo de interesse agronômico.

O estudo de eficiência no controle de Heilipus lauri traz respostas à suscetibilidade de adultos de ASB a uma cepa comercial de B. bassiana por contato direto com uma solução de esporos ou indiretamente, através de uma superfície infectada.

Já em comparação, uma cepa de M. anisopliae mostrou baixa patogenicidade contra este inseto e avaliações adicionais em campo são necessárias para estabelecer o efeito das condições ambientais e ecológicas na virulência da cepa, assim como a identificação de uma concentração economicamente viável.

Padrão de qualidade

Os principais importadores de fruta, como, por exemplo, o europeu e o norte americano, exigem um padrão de qualidade que observem as demandas impostas pelos consumidores com relação à segurança alimentar e, também, as exigências para certificação do produto, levando em consideração aspectos ambientais e sociais, além do local de produção.

Foto: Shutterstock

Desta forma, produtores de fruta destinados à exportação precisaram adaptar suas lavouras para atender às exigências dos mais importantes selos internacionais, como o EurepGap e o TNCR.

Nesse contexto, um produto que atenda às necessidades de cunho fitossanitário é aquele que é aceito no mercado externo, onde o elevado padrão de qualidade dos produtos é, sem dúvida, um fator que pode fazer com que o Brasil se estabeleça no mercado mundial de abacate.

A característica de seletividade aos fungos apresentada pelos produtos fitossanitários analisados favorece a utilização do controle associado, promovendo o aproveitamento do efeito estressor do inseticida, que altera a capacidade de limpeza dos insetos, permitindo a persistência de uma maior quantidade de inóculo para o início da doença.

A aquisição deste produto no Brasil não é fator limitante, visto que são produzidos muitos inseticidas à base do fungo entomopatogênico B. bassiana, os quais podem ser utilizados em programas de controle biológico de pragas em diferentes culturas.

Cuidados necessários

Entretanto, ao empregar fungos entomopatogênicos no controle biológico de pragas, é importante ter bastante cuidado com os agrotóxicos (inseticidas, herbicidas) e até mesmo produtos naturais, como os derivados de nim (Azadirachta indica), considerado um produto natural de largo espectro, pois estes podem acarretar efeitos sobre os microrganismos, afetando seu desempenho em campo.

Portanto, o produtor pode buscar informações sobre a compatibilidade destes produtos para a realização do manejo integrado.

Dicas importantes

O manejo do bicudo pode ser feito de forma cultural, com a destruição de restos de poda e catação manual de larvas. O controle biológico com a aplicação de fungos entomopatogênicos, como o Beauveria bassiana e Metarhizium anisopliae são opções.

O produtor pode complementar a ação do defensivo por monitoramento das populações de pragas e doenças, que é a chave para o controle fitossanitário, já que entender o comportamento destes indivíduos direciona os produtores na tomada de decisão para o controle.

A adoção de armadilhas caseiras para o monitoramento de mariposas e besouros tem se mostrado uma estratégia eficiente.

Para evitar problemas fitossanitários, é necessário que a planta esteja em sua melhor condição de cultivo e, por isso, o manejo integrado é fundamental. Deve-se realizar um bom manejo de solo (gessagem; uso de coberturas; plantio consorciado com outras culturas); eficaz controle de plantas daninhas, as quais podem ser hospedeiras de pragas e patógenos; e bom manejo da adubação, pois é essencial manter o correto balanço nutricional das plantas, a fim de evitar a suscetibilidade dos abacateiros a pragas e doenças.

Além disso, recomendam-se podas, para um bom arejamento do pomar; evitar ferimentos em troncos e raízes, pois são ‘portas de entrada’ de patógenos oportunistas e pragas; limpeza do pomar, como recolhimento de frutos caídos ao chão após abscisão e restos de podas; uso de defensivos agrícolas de acordo com a recomendação do fabricante, alternando o princípio ativo e evitando-se misturar, o que, consequentemente, prejudica inimigos naturais e seleciona indivíduos resistentes.

Por fim, é importante ajustar o pH e o tamanho das gotas das caldas agrícolas.

Segurança

Os produtos biológicos em si não possuem um intervalo de segurança determinado devido à característica microbiológica do ingrediente ativo. No entanto, recomenda-se não entrar na área em que o produto foi aplicado antes da secagem completa da calda (no mínimo 24 horas após a aplicação) e, caso haja necessidade, deve-se utilizar os equipamentos de proteção individual (EPI) recomendados para o uso durante a aplicação.

 A necessidade de reaplicação do produto dependerá do monitoramento em campo, pois a diminuição dos indivíduos na área de cultivo se dá pela ação entomopatogênica dos fungos.

Cerca de 20 dias após a primeira aplicação, é possível observar a contaminação da área com os fungos, onde nota-se, após este tempo, a presença de alguns insetos adultos mortos e recobertos com hifas.

Foto: Shutterstock

Nesse sentido, o controle ocorre pela autodisseminação pelos próprios insetos contaminados e os mesmos o levam para as galerias, com o fungo aderido ao seu corpo, onde, com o passar do tempo, ocorre a remoção por meio do atrito gerado pelo inseto em outras superfícies.

Cuidados

Os cuidados a serem tomados estão no monitoramento da praga após a aplicação e a atenção com a realização no manejo integrado pois, por se tratar de um produto biológico, podem afetar o desempenho do produto quando interagir com outros inseticidas, herbicidas e fungicidas.

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