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Bioestimulação impulsiona produtividade e sanidade da cana

Quando aplicados nas culturas via solo ou nas sementes, estimulam a germinação das sementes, enraizamento e absorção de nutrientes

Crédito: Miriam Lins

Nilva Teresinha Teixeira
Engenheira agrônoma, doutora e professora de Bioquímica, Nutrição de Plantas e Produção Orgânica – UniPinhal
nilva@unipinhal.edu.br

O Brasil é o maior produtor de cana do mundo. É, também, o maior produtor e exportado de açúcar.

O processamento da cana-de-açúcar propicia o bagaço, empregado como fonte de energia para alimentar a indústria e fonte de matéria orgânica para os plantios e para a obtenção do etanol de segunda geração. Ainda, a vinhaça que pode ser empregada na correção e adubação.

Exigente em nutrientes

É uma espécie exigente em nutrientes, especialmente em nitrogênio e potássio e a longevidade das soqueiras está ligada à correção da fertilidade. Ainda, o uso de máquinas empregadas no cultivo e na colheita podem prejudicar a estrutura do solo e promover compactação. Problemas bióticos, como baixas temperaturas e geadas, e déficit hídrico também podem prejudicar a produtividade e a longevidade do canavial.

Devido à importância econômica da exploração em questão, por ser cultivo característico de grandes produtores, a busca de ferramentas que aumentem a produtividade, o aproveitamento mais eficiente de água e de nutrientes, o rendimento industrial e a resistência aos fatores biótico e abióticos é interessante. Entre tais ferramentas têm-se os bioestimulantes.

E o que são bioestimulantes?

Para o programa nacional de bioinsumos (PNB), bioestimulantes são: “Produtos que contêm substância natural com diferentes composições, concentrações e proporções, que pode ser aplicado diretamente nas plantas, nas sementes e no solo, com a finalidade de incrementar a produção, melhorar a qualidade de sementes, estimular o desenvolvimento radicular, favorecer o equilíbrio hormonal da planta e a germinação mais rápida e uniforme, interferir no desenvolvimento vegetal, estimular a divisão, a diferenciação e o alongamento celular, incluídos os processos e as tecnologias derivados do bioestimulante”.

Assim, bioestimulantes são produtos ou substâncias que estimulam processos naturais do vegetal, como absorção e aproveitamento, tolerância a estresses abióticos e o metabolismo das plantas – como fotossíntese e respiração.

Podem contar com apenas um grupo de substâncias, a combinação entre eles e associados, ou não, à nutrientes de plantas. Ressalte-se que não são nutrientes vegetais: não os substituem; melhoram o aproveitamento deles.

Enquadram-se entre os bioestimulantes: mistura de fitohormônios, os aminoácidos e hidrolisados de proteínas, as substâncias húmicas, os ácidos húmicos e fúlvicos e os extratos de algas, entre outros, cada um deles com um modo específico de ação. Todos os grupos possuem produtos comerciais disponíveis no mercado brasileiro.

Ação esperada

Quando aplicados nas culturas via solo ou nas sementes, estimulam a germinação das sementes, enraizamento e absorção de nutrientes. Utilizados diretamente nas plantas: estimulam a respiração, através da ação no ciclo de Krebs, cadeia respiratória, e na fotossíntese, beneficiando a síntese de clorofilas.

Propiciam, também, o aumento da divisão e alongamento celular. Em todas as modalidades de aplicação, beneficiam a absorção e aproveitamento de nutrientes e de água, o desenvolvimento, produtividade, resistência aos fatores bióticos e abióticos e produção, em quantidade e qualidade.

Produtividade da cana-de-açúcar

O emprego de bioestimulantes pode beneficiar o enraizamento, o desenvolvimento inicial, a produtividade, qualidade do produto e resistência ao estresse hídrico.

Os bioestimulantes, como os fitorreguladores, ácidos húmicos e fúlvicos, extratos de algas marinhas e aminoácidos, aplicados via solo, diretamente nos toletes, por irrigação em mudas pré-brotadas, ou por fertirrigação no plantio, podem melhorar o enraizamento, desenvolvimento inicial e o stand da lavoura.

Se empregado em rebrotas, logo após a colheita, vai propiciar a formação de novas raízes e o desenvolvimento vegetativo das plantas, o que refletirá em aumentos de produtividade e na quantidade de sacarose.

A inclusão de tais insumos após a colheita promove e beneficia a rebrota, o desenvolvimento inicial e a longevidade das soqueiras. Isso porque os bioestimulantes, como os fitorreguladores, ácidos húmicos e fúlvicos, extratos de algas marinhas e aminoácidos, estimulam a divisão celular, o alongamento das células, o aproveitamento da água e de nutrientes, a fotossíntese e a taxa respiratória.

Além disso, melhoram a atividade biológica do solo e resistência das plantas a agentes bióticos e abióticos.

Em campo

Resultados de estudos com cana-de-açúcar mostram efeitos positivos da inclusão de bioestimulantes. Assim, a aplicação no plantio, via pulverização de toletes ou fertirrigação, de formulado constituído de mistura dos fitohormônios, cinetina, ácido giberélico e ácido indolbutírico provoca a resistência ao estresse hídrico, o desenvolvimento e produtividade da cana-de-açúcar, não afetando a qualidade do produto.

 Também, o uso do formulado citado, incluído por meio de imersão dos colmos, na formação de mudas prebrotadas (MPB), podem promover melhorias no diâmetro de coleto, intercessão de ultima folha, taxas de clorofilas das plantas e enraizamento.

O engenheiro agrônomo Leonardo C. Luizon, em seu trabalho de conclusão de curso na Engenharia Agronômica do UniPinhal, Espírito Santo do Pinhal (SP), sob minha orientação, mostrou que a inclusão de ácidos húmicos e fúlvicos em mudas pré-brotadas conduzidas em vasos promoveu benefícios na massa verde e seca de raízes no perfilhamento e no comprimento de raízes.

Sob minha orientação também, o engenheiro agrônomo Richard de Wit conduziu ensaio de campo com cana de segundo corte, tendo verificado que o uso de ácidos húmicos e fúlvicos propiciou acréscimos de perfilhamento e de produção de colmos com bom nível de sacarose.

Costa (2016) relata que o uso de extrato de algas marinhas em plantas de cana-de-açúcar submetidas a veranico de 30 dias (causador de estresse hídrico) refletiu em maior produtividade, com colmos de melhor qualidade, e plantas mais vigorosas que as não tratadas.

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Maradiaga (2018) observou excelentes resultados, de produtividade e qualidade tecnológica, com o uso conjunto de 300 m-1 de vinhaça e de 200 kg ha-1 das algas calcárias Lithothamnium, em plantas irrigadas.

Obtiveram expressivos aumentos de produtividade de colmos com a introdução de formulados com aminoácidos, via foliar, em cana-soca de 3º corte.

Os autores consideram que tais resultados refletem as seguintes ações dos aminoácidos: estimulam o metabolismo vegetal, o desenvolvimento radicular (condicionando maior área de contato das raízes com o solo, o que leva à maior absorção de água e de nutrientes), a síntese de citocinina (fitohormônios importantes na divisão celular); propicia maior resistência aos estresses causados pelos problemas climáticos, pragas e doenças, entre outros aspectos.

Oliveira et al. (2018) estudaram em cana-de açúcar o efeito de dois produtos comerciais, compostos de ácidos húmicos e húmicos, de extratos de algas marinhas e de aminoácidos, na rebrota de cana-planta, aplicando-os nas folhas 60 dias após o corte da cana-planta. Observou-se acréscimo de produtividade de colmos, não influenciando a qualidade industrial.

Pode-se inferir, então, que o uso dos bioestimulantes tem potencial de boas respostas. Porém, deve ser empregado com orientação técnica e nas doses, épocas de aplicação corretas.

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