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Inovações no cultivo de couve-flor

Liliane Marques de Sousa
Engenheira agrônoma e mestranda em Fitotecnia – Universidade Federal de Viçosa (UFV)
liliane.engenheira007@gmail.com
Walleska Silva Torsian
Engenheira agrônoma e doutoranda em Fitotecnia – ESALQ/USP
walleskatorsian@usp.br
Alasse Oliveira da Silva
Engenheiro agrônomo e mestrando em Fitotecnia – ESALQ/USP
alasse.oliveira77@usp.br

Foto: Shutterstock

A couve-flor é uma hortaliça amplamente demandada pelo mercado consumidor brasileiro. Sua produção no Brasil é destaque nas regiões sudeste e sul, ocorrendo principalmente em áreas de elevada altitude e no período mais frio do ano.

Conforme o último levantamento do IBGE, os maiores Estados produtores dessa hortaliça são: São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, que juntos somam 126.384 toneladas anuais para abastecer o mercado consumidor interno, sendo o produto comercializado fresco ou processado pelas indústrias.

Atualmente, a couve-flor é uma hortaliça de grande importância, principalmente para pequenos e médios produtores, que podem cultivar a espécie em áreas pequenas durante todo o ano. A oferta de sementes de diversas cultivares, principalmente espécies adaptadas ao clima mais quente, tem sido feita por empresas de sementes de hortaliças.

Valor nutricional

A couve-flor é uma hortaliça que apresenta elevado valor nutricional, caracterizando-se por ter baixo teor calórico e inúmeros nutrientes – sais minerais, cálcio, fósforo, ácido ascórbico (vitamina C), livre de gorduras e colesterol e, além disso, possui baixo teor de sódio e 93% de água, sendo uma excelente fonte de potássio, com poucas calorias e muitas fibras.

Devido a esses benefícios, essa hortaliça está presente nas recomendações de médicos e nutricionistas.

Genética

Pertence à família Brassicaceae, com folhas alongadas, raízes com até 20 centímetros de profundidade. A parte comestível é composta por uma inflorescência de coloração branca, amarela e creme e, mais recentemente, com o avanço das pesquisas, as cores verde e roxa.

É uma planta tipicamente de clima frio, que necessita de baixas temperaturas para a passagem da fase vegetativa para a reprodutiva. A couve-flor é uma planta alógama, sendo a polinização feita por insetos. Sua flor é hermafrodita e o fruto é denominado de síliqua, com sementes no seu interior.

Mercado consumidor

Em decorrência das mudanças dos hábitos alimentares e do surgimento de um padrão de vida mais saudável e balanceado, existe uma demanda crescente pelo produto nos últimos anos pela população mundial.

Com o aumento da demanda de mercado pelo consumidor, existe uma ampliação nas áreas de cultivo e produção de couve-flor, especificamente no lançamento de cultivares e inovações em cores. Dentre as brássicas, a couve-flor destaca-se por possuir maior valor de mercado, o que incentiva o produtor brasileiro a produzir.

No entanto, inúmeros são os desafios para cultivar a cultura em condições climáticas locais. A couve-flor é exigente em temperatura, manejo, irrigação, fertilidade do solo e pós-colheita. Portanto, o manejo do plantio à colheita é fundamental para garantir produtividade e qualidade.

Manejo nutricional

Foto: Shutterstock

A couve-flor apresenta melhores resultados em solos mais argilosos, bem drenados e com alto teor de matéria orgânica. É uma cultura que não tolera solos ácidos, exigindo pH entre 6 e 6,8 e também não aceita níveis altos de alumínio.

Para os produtores que buscam altas produtividades, a calagem e a adubação são essenciais para o cultivo. O recomendado é que a aplicação de calcário eleve a saturação por base em 80%, aplicando o mesmo durante o preparo do solo.

Com relação aos macronutrientes, o nitrogênio (N) e o potássio (K) são os que mais influenciam a cultura, seguidos pelo cálcio (Ca) e o enxofre (S). O nitrogênio é fundamental para que o desenvolvimento vegetativo seja rápido e vigoroso, fato que está diretamente relacionado ao bom desenvolvimento das inflorescências.

Os micronutrientes mais importantes para a cultura são o molibdênio (Mo), boro (B), cobre (Cu), ferro (Fe), manganês (Mn) e zinco (Zn). Mesmo que sejam absorvidos em baixas quantidades, eles são importantes para garantir plantas saudáveis e produtivas.

Porém, o boro e o cobre se destacam ainda mais, e a falta deles na couve-flor leva à deficiência, causando a inviabilização das inflorescências comercializáveis, podendo aparecer sintomas como pontuações escuras e necrose nas flores.

Muitos produtores fazem a aplicação de boro para o suprimento na cultura por meio da adubação com Boráx (11% de boro) ou ácido bórico (17% de boro) no sulco no momento do transplante e também na aplicação foliar, assim, a couve-flor consegue formar as inflorescências com maior resistência.

A adubação orgânica também vem sendo uma alternativa rentável e viável para os produtores, especialmente com a incorporação de esterco aviário e/ou bovino no momento da preparação dos sulcos de plantio. O ideal é aplicar cerca de 40 a 60 toneladas de esterco bovino por hectare ou a metade dessa quantidade de esterco aviário.

Mudas

Para a produção de mudas, a escolha das sementes deve ser bastante criteriosa e garantir a qualidade física, química e biológica. O sucesso para uma boa produção das mudas começa com as condições climáticas muito específicas, pois as mudas são bastante sensíveis ao estresse.

É importante manter as mudas em ambiente protegido para evitar mudanças bruscas de temperatura. Elas devem ser feitas em bandejas de poliestireno expandido de 128 a 200 células, dependendo do tamanho da muda que o produtor deseja.

O substrato deve possuir características adequadas e atender às exigências das mudas, além de ser livre de patógenos. Para um hectare de couve-flor, consideram-se 20.000 plantas, o que dá um total de 200 gramas de sementes para a formação das mudas, com profundidade de 0,5 cm durante a semeadura das bandejas.

Transplantio

Foto: Shutterstock

Cerca de 25 a 30 dias as mudas estão prontas para transplantio no campo, quando apresentam de quatro a cinco folhas definitivas. Para a escolha da área, deve-se evitar o plantio em áreas onde outras espécies da família Brassicaceae foram cultivadas. Escolher um terreno que não tenha histórico com problemas de pragas e doenças.

 O espaçamento para o plantio de couve-flor é de 0,8 a 1,0 m entre linhas e 0,4 a 0,5 m entre plantas. Devido ao crescimento mais ereto das folhas, a cultura pode ser plantada em espaçamentos mais adensados, mas, lembre-se dos cuidados fitopatológicos para evitar a disseminação de doenças.

Cuidados

O cultivo adensado requer mais cuidado nos tratos culturais devido à maior competição entre as plantas. Para o controle de plantas daninhas, é importante ficar atento, principalmente nas primeiras semanas depois do transplante, evitando a competição por água, luz e nutrientes.

Uma excelente opção para a prevenção é a aplicação da cobertura de solo, que pode ser feita com resto de palhada (matéria seca) ou plástico de coloração preta.

Fitossanidade

As principais doenças que aparecem no cultivo de couve-flor são: podridão negra, mancha de alternária, míldio e oídio, que são causadas por fungos. Elas podem ser controladas com a eliminação de restos culturais, rotação de culturas, uso de mudas sadias e o controle químico, se necessário, prestando atenção se o produto que será aplicado é registrado no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).

As pragas que podem ocorrem na couve-flor são: curuquerê da couve, pulgão e formigas cortadeiras que, para o controle, requerem sementes com fungicidas ou inseticidas registrados, respeitando sempre o período de carência e as dosagens durante a aplicação.

Irrigação

Com relação à irrigação, a cultura é bastante exigente em água, devendo-se manter o solo sempre úmido, porém, não encharcado. A falta de água na produção dificulta e prejudica o desenvolvimento e crescimento das inflorescências.

O principal meio utilizado para a irrigação é a aspersão, porém, os produtores estão evitando-a devido ao fato de gastar muito mais água e favorecer o desenvolvimento de patógenos. A irrigação por gotejamento vem ganhando espaço no cultivo devido à facilidade de manejo e maior disponibilidade de água para a irrigação.

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Novidade

Alguns produtores estão realizando a cobertura da inflorescência, que basicamente consiste em amarrar duas folhas das plantas sobre as inflorescências da couve-flor, dificultando a passagem de luz solar, que pode deixar a inflorescência amarelada, dificultando a comercialização.

Porém, os produtores devem ficar atentos, pois essa prática deve ser monitorada em regiões mais úmidas para não favorecer o desenvolvimento de doenças.

Colheita

A colheita deve ser realizada a partir do momento em que as inflorescências estão completamente desenvolvidas, com a cabeça compacta e firme. O produtor deve fazer a colheita sempre no início da manhã ou no final da tarde, cortando o colo da planta e deixando algumas folhas para proteção das inflorescências, principalmente durante o transporte.

A classificação da couve-flor pode ser feita por tamanho ou qualidade. 

Porteira adentro

Carlos Alberto Montico é agricultor na Fazenda Barreiro, em Itatiba (SP), onde planta anualmente 45 ha de couve-flor. “Optei pela couve-flor porque essa cultura nos dá possibilidade de colher durante o ano todo. No entanto, os desafios ainda são encontrar as variedades certas para cada época e manter o controle da traça-da-crucífera”, diz.

No verão, ele planta exclusivamente para o mercado fresco (bandejas e Ceagesp), enquanto no inverno a produção segue em bandejas e para a indústria de congelados.

Erros e acertos

Para ter uma produção de sucesso, ele investe em uma correção de solo adequada, boa adubação e irrigação correta. “Além disso, é importante escolher a variedade certa para cada época e firmar uma parceria para a colocação do produto no mercado.

Com esse manejo, para a indústria ele tem alcançado um rendimento médio de 800 g por unidade floretada, enquanto para o mercado fresco (bandeja), 80% das mudas semeadas.

Custo x rentabilidade

Quanto ao custo e à margem de lucro, Carlos Alberto afirma que depende muito da oferta e procura. “Uma boa produção deve ter uma colheita de, no mínimo, 80% das mudas semeadas na estufa de produção de mudas. Com essa porcentagem, a média de custo fica em R$ 1,50  por unidade. Para a indústria, vendo a R$ 3,10/kg, enquanto para o mercado fresco, dependendo da oferta e procura, fica em média a R$ 2,50 a R$ 3,00 a unidade”, entrega.

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