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quinta-feira, julho 18, 2024
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Inovações no manejo da traça-das-crucíferas

Crédito: Nicola Addelfio

Stella Andressa Collegari
Engenheira agrônoma e mestranda em Fitotecnia – ESALQ/USP
stella.collegari@usp.br
Fernando Henrique Iost Filho
Engenheiro agrônomo, mestre em Entomologia, especialista em Agronegócios e professor – Faculdade de Agronegócios de Holambra
fernando.filho@prof.unieduk.com.br
Pedro Takao Yamamoto
Engenheiro agrônomo, mestre e doutor em Agronomia e professor – ESALQ/USP
pedro.yamamoto@usp.br

A Plutella xylostella, também conhecida como traça-das-crucíferas, é um microlepidóptero que, durante o dia, se esconde entre as folhas nas plantas que colonizam e, no período noturno, são mais ativas e saem para se alimentar e reproduzir.

Apresentam baixa capacidade de voar longas distâncias, no entanto, o vento pode contribuir com a dispersão desta praga, podendo deslocá-la por até 500 quilômetros.

O ciclo da traça-das-crucíferas, de ovo a adulto, varia de 11 a 22 dias. A fêmea tem alta capacidade de reprodução, podendo depositar até 350 ovos no seu ciclo de vida. Em condições de temperaturas próximas a 22°C e baixa precipitação, há o aumento da fecundidade e crescimento populacional desta praga, potencializando ainda mais seus prejuízos.

Prejuízos

Seus maiores prejuízos são causados na fase larval, devido à elevada taxa de alimentação, podendo ocasionar perdas de até 100% na produção. As lagartas possuem quatro estádios, sendo que no primeiro elas se alojam no interior das folhas e formam galerias, se alimentando do parênquima foliar.

Nos estádios seguintes, as lagartas saem das galerias e passam a se alimentar de folhas e caules. Em repolho, as lagartas deixam furos nas cabeças, depreciando e inviabilizando a venda destes produtos hortícolas. As plantas muito danificadas atrofiam e morrem, na maioria dos casos.

A importância econômica da traça-das-crucíferas nas diferentes regiões do Estado de São Paulo varia consideravelmente, podendo ocasionar reduções de até 60% na produção de repolho.

A traça-das-crucíferas é considerada uma praga-chave para muitas culturas da família Brassicaceae, como o repolho, couve-flor, couve e brócolis.

Controle

A adoção de algumas práticas para o Manejo Integrado de Pragas (MIP) auxilia no controle desta praga, tais como manejo cultural, comportamental, biológico e, em casos mais severos de infestações, produtos químicos.

No controle cultural, pode-se adotar a rotação de culturas com outras espécies não suscetíveis ao ataque desta praga, pois desta forma se evita a disponibilidade contínua de hospedeiros para a praga se alojar, bem como fazer a remoção dos restos culturais do campo após a colheita e o uso de mudas sadias e vigorosas.

Outra forma seria a utilização da irrigação no período noturno para atingir as mariposas que saem para se acasalar, além da irrigação durante o dia, que poderia auxiliar na remoção dos ovos das folhas.

Armadilhas luminosas podem ser utilizadas como forma de controle comportamental, uma vez que as mariposas possuem hábitos noturnos e são atraídas pela luz da armadilha, possibilitando a captura massal.

Biológico

Crédito: Salvador Vitanza

Em casos do uso de controle biológico, atualmente há o parasitoide Trichogramma pretiosum, a bactéria Bacillus thuringiensis e o fungo Beauveria bassiana. O parasitoide é uma microvespa que é produzida em grandes escalas e pode ser liberada no campo, em cartelas ou a granel, com o intuito de controlar os ovos das mariposas.

Já a bactéria, também conhecida como Bt, constitui um inseticida biológico capaz de produzir proteínas consideradas tóxicas à traça-das-crucíferas em sua fase larval, chamadas de proteínas Cry.

Por fim, Beauveria bassiana é um fungo capaz de infectar insetos em diversos estágios de desenvolvimento, causando redução da viabilidade das larvas, reduzindo a longevidade dos adultos e a viabilidade dos ovos.

Recomendações

Em casos de altas infestações, faz-se necessário o uso de produtos químicos registrados para o inseto-alvo e a cultura, respeitando o período de carência dos inseticidas. É importante que estes produtos sejam seletivos, a fim de controlar apenas o inseto-praga e não causar impactos sobre os inimigos naturais.

Na cultura da couve-flor, tem sido identificada elevada resistência da praga a diferentes produtos químicos. Dessa forma, é primordial a rotação de inseticidas de diferentes grupos químicos para evitar a seleção de população resistente.

Vale destacar que esses manejos podem ser realizados concomitantemente e integrados, potencializando o controle da praga e contribuindo para um controle mais equilibrado perante o ecossistema, quando comparado com o uso apenas do controle químico.

Além disso, reduzem-se os riscos ambientais, humanos e também alimentares, aos quais a sociedade está cada vez mais atenta.

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Alternativas

Em áreas pequenas, é possível o uso do controle mecânico, com a catação manual das lagartas e realizar o esmagamento dos ovos encontrados nas folhas da cultura.

Em relação ao controle químico, as diamidas constituem um dos grupos mais recentes que pode ser utilizado no manejo da traça, sendo uma opção para programas de manejo da resistência do inseto a inseticidas, uma vez que a traça-das-crucíferas é um dos insetos com maior número de relatos de casos de resistência.

Os extratos de plantas e óleos essenciais também podem ser considerados estratégias inovadoras para serem adicionadas aos programas de manejo integrado, com exemplos de extratos de plantas de diversas famílias botânicas prejudicando o desenvolvimento e a oviposição da traça, caracterizando antibiose e antixenose, respectivamente.

Por fim, o controle da traça por técnicas de manipulação genética tem sido estudado e testado em países da Europa, Estados Unidos e China. Essa técnica consiste na inserção de genes autolimitantes na população da praga, de modo que os machos que carregam esses genes são liberados no campo para copular com fêmeas selvagens e, dessa fecundação não há desenvolvimento de fêmeas na progênie, fazendo com que a população reduza ao longo do tempo.

Alguns estudos promissores apontam para reduções significativas na população dentro de oito semanas.

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